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	<title>Violência</title>
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		<title>Violência</title>
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		<title>O melhor presente de Natal do mundo</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Jul 2009 19:52:10 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[O melhor presente de Natal do mundo A todos quantos, de ambos os lados do conflito, tomaram parte na trégua de Natal de 1914   Vi-a numa loja de velharias em Bridport. Era uma escrivaninha de tampo corrediço, e o vendedor afirmava tratar-se de uma peça em carvalho do início do século XIX. Há já [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=60&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;">O melhor presente de Natal do mundo</h3>
<p align="center"><em>A todos quantos, de ambos os lados do conflito, tomaram parte na trégua de Natal de 1914</em></p>
<p align="center"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;">Vi-a numa loja de velharias em Bridport. Era uma escrivaninha de tampo corrediço, e o vendedor afirmava tratar-se de uma peça em carvalho do início do século XIX. Há já anos que procurava uma escrivaninha deste estilo, mas nunca tinha encontrado uma que pudesse comprar. Esta não estava em bom estado: a tampa tinha várias rachadelas, uma das pernas estava mal consertada, e havia marcas de queimaduras por todo o lado.</p>
<p style="text-align:justify;">Não era cara, e pensei que poderia tentar restaurá-la eu mesmo. Seria um risco, um desafio, mas era a minha única oportunidade de ter uma escrivaninha de tampo corrediço. Paguei o que o homem pediu, e levei-a para a minha oficina, na parte de trás da garagem. Comecei a restaurá-la na véspera de Natal, sobretudo devido à quantidade de visitas que havia em casa. Faziam muito barulho e eu queria ter algum sossego.</p>
<p style="text-align:justify;">Abri o tampo e puxei as gavetas. Cada uma delas anunciava um desafio maior do que eu tinha imaginado. O verniz estava a descascar um pouco por todo o lado: parecia que a peça tinha sido salva de um naufrágio. Era evidente que esta escrivaninha tinha atravessado fogo e água. A última gaveta estava empenada e tentei abri-la com cuidado. Mas os meus esforços não resultaram e tive de usar toda a força que pude. Bati-lhe com o punho e logo ela se abriu, revelando um compartimento secreto. Este continha uma pequena caixa de folha, com uma folha de papel pautada, na qual a mão trémula de alguém tinha escrito: “A última carta de Jim, recebida a 25 de Janeiro de 1915. Para ser enterrada comigo, quando eu morrer.”</p>
<p style="text-align:justify;">Soube, logo que o fiz, que não deveria abrir a caixa, mas a curiosidade levou a melhor sobre os meus escrúpulos. Como sempre.</p>
<p style="text-align:justify;">Dentro da caixa estava um envelope, endereçado a Mrs Jim Macpherson, I2 Copper Beeches, Bridport, Dorset. Peguei na carta e abri-a. Estava escrita a lápis e datava de 26 de Dezembro de 1914.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Querida Connie</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Escrevo-te, feliz, porque acaba de acontecer algo de maravilhoso que quero contar-te já. Ontem de manhã, estávamos todos nas trincheiras. Era Dia de Natal e estava uma das manhãs mais bonitas que vira até então, tranquila e gelada como uma manhã de Natal deve ser. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Gostava de poder dizer-te que fomos nós que tivemos a iniciativa. Mas a verdade, envergonho-me de to dizer, foi que os Alemães é que tomaram a iniciativa. Primeiro, alguém viu uma bandeira branca a ondular nas trincheiras do inimigo. Depois, alguém gritou:</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>— Feliz Natal! Feliz Natal!</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Quando nos tínhamos recomposto da surpresa, alguns de nós retribuíram:</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>— Feliz Natal para vocês também! </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Pensei que tudo ficaria por ali. Todos pensámos. Mas, de repente, vimos um deles, no seu sobretudo cinzento, a agitar uma bandeira branca. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>— Não atirem, rapazes! — alguém gritou. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>E logo vimos mais Alemães, uns a seguir aos outros, a aproximarem-se da nossa trincheira.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>— Mantenham-se em baixo — ordenei aos meus homens. — É uma armadilha.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mas não era tal.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Um dos Alemães agitava uma garrafa no ar.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>— É Dia de Natal. Temos cerveja e salsichas. Querem encontra-se connosco?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Por esta altura, já dezenas deles se dirigiam até nós, atravessando a terra de ninguém que nos separava. Nenhum deles transportava armas.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O soldado Morris foi o primeiro a mexer-se. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>— Vamos lá, rapazes! De que estamos à espera?  </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ninguém os conseguiu impedir. Eu era o oficial e devia ter travado aquilo imediatamente. Mas nem me ocorreu. Homens de ambos os lados, vestidos com sobretudos cinzentos ou com uniformes caqui, caminhavam em direcção uns aos outros, e eu era um deles. Fazia parte daquilo. No meio da guerra, celebrávamos a paz.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não podes imaginar, querida Connie, o que senti, quando olhei, nos olhos, o oficial alemão que se aproximava de mim, com a mão estendida.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>— O meu nome é Hans Wolf — disse, segurando a minha mão com firmeza e afabilidade. — Sou de Dusseldorf e toco violoncelo na orquestra da cidade. Feliz Natal!</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>— Sou o Capitão Jim Macpherson — respondi. — Sou professor em Dorset, no leste de Inglaterra. Feliz Natal para si, também!</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>— Dorset — repetiu. — Conheço muito bem esse lugar. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Partilhámos a minha ração de aguardente e a excelente salsicha dele. E falámos, falámos sem parar. O inglês dele era excelente, mas acontece que nunca tinha posto os pés em Dorset. Tudo o que sabia sobre Inglaterra tinha-o aprendido na escola e nos livros que lia em inglês. O seu escritor favorito era Thomas Hardy, e o seu livro preferido </em>Far from the Madding Crowd<em>. Naquela terra de ninguém, conversámos sobre Bathsheba, Gabriel Oak,  Sergeant Troy e Dorset. Tinha mulher e um filho, com seis meses de idade. Enquanto olhava à minha volta, só via manchas de cor cinzenta e caqui a fumar, a rir, a comer e a beber. Hans Wolf e eu partilhámos o que restava do teu óptimo bolo de Natal. Segundo ele, o teu maçapão era o melhor que alguma vez provara. Concordei. Concordávamos em tudo, Connie, e ele era meu inimigo. Nunca houvera uma festa de Natal assim.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Alguém trouxe uma bola de futebol. Os sobretudos foram despidos e transformados em postes de balizas. O jogo começou. Hans Wolf e eu assistimos e encorajámos os jogadores, batendo palmas e batendo com os pés no chão, para afastarmos o frio. Houve um momento em que vi a nossa respiração misturar-se. Ele viu o mesmo e sorriu.   </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>— Jim Macpherson — disse, passado um bocado — penso que é assim que esta guerra devia ser resolvida. Como um jogo de futebol. Ninguém morre num jogo de futebol. Ninguém fica órfão. Nenhuma mulher fica viúva. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>— Prefiro o críquete — disse-lhe. — Assim, os Ingleses ganhariam.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Rimo-nos da minha piada e assistimos ambos ao jogo. Pena-me dizer que os Alemães ganharam 2-1. Mas Hans Wolf comentou, com generosidade, que o nosso golo fora mais bem marcado do que o deles.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Quando o jogo acabou, já há muito tinham desaparecido a cerveja, o bolo, a aguardente e as salsichas. Desejei felicidades a Hans e fiz votos de que voltasse a ver a família em breve, de que a guerra acabasse depressa, e de que todos regressássemos a casa sãos e salvos. Respondeu-me:</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>— Penso que é o que todos os soldados querem, sejam Alemães ou Ingleses. Tome cuidado consigo, Jim Macpherson. Nunca o esquecerei nem esquecerei este momento.  </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Fez-me continência e afastou-se, devagar, como que involuntariamente. Virou-se para acenar, uma vez mais, e logo se transformou num mais entre as centenas de homens vestidos de cinzento, que regressavam às suas trincheiras.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Nessa noite, ouvimo-los entoar um belo cântico de Natal, “Noite Feliz”. Os nossos rapazes responderam com “Enquanto os pastores observavam”. Trocámos cânticos durante mais algum tempo e depois calámo-nos. Foi um momento de paz e boa vontade, que recordarei com carinho enquanto viver. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Querida Connie, no Natal do ano que vem, esta guerra não será mais do que uma recordação vaga e terrível. Sei, por tudo o que aconteceu hoje aqui, o quanto ambos os exércitos desejam a paz. Em breve estaremos de novo juntos, tenho a certeza. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O teu querido Jim              </em></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Dobrei a carta e coloquei-a de novo no envelope. Não contei a ninguém o meu achado: guardei a vergonha da minha intrusão para mim mesmo. Penso que foi este sentimento de culpa que me manteve acordado toda a noite. Na manhã seguinte, já sabia o que devia fazer. Apresentei uma desculpa qualquer e não fui à igreja com o resto da família. Guiei até Bridport, que ficava apenas a uns quilómetros dali. Perguntei a um rapaz, que passeava o cão, onde ficava a casa.</p>
<p style="text-align:justify;">O número 12 não passava de uma concha vazia, com um telhado em ruínas e as janelas entaipadas. Toquei na casa ao lado e perguntei se sabiam o paradeiro de Mrs Macpherson. Um homem de idade, em pantufas, respondeu afirmativamente. Disse que era uma senhora amorosa, um pouco confusa, o que era normal, dado que tinha 101 anos. Estava em casa quando esta se incendiou. Ninguém sabia como o incêndio começara, mas pensavam que deveriam ter sido as velas. A senhora usava velas em vez de electricidade, porque achava que a electricidade era demasiado cara. O bombeiro tinha-a salvo a tempo. Agora vivia num lar chamado Burlington House, na estrada de Dorchester, do outro lado da cidade.</p>
<p style="text-align:justify;">Encontrei Burlington House facilmente. Havia serpentinas de papel no corredor e uma árvore de Natal iluminada estava montada num canto, com um anjinho no topo. Disse que era um amigo de Mrs Macpherson e que viera trazer-lhe um presente de Natal. Podia ver, através da porta envidraçada da sala que estavam todos com chapéus de papel e a cantar “Good King Wenceslas”. A Directora também tinha um chapéu e ficou contente por me ver. Até me ofereceu uma tarte de carne picada. Depois conduziu-me ao quarto de Mrs Macpherson.</p>
<p style="text-align:justify;">— Mrs Macpherson não está na sala com os outros, porque hoje sente-se bastante confusa. Não tem família e ninguém a visita. Tenho a certeza de que vai gostar muito de o ver.</p>
<p style="text-align:justify;">Conduziu-me até uma estufa, cheia de cadeiras de palhinha e vasos com plantas, e deixou-‑me a sós com Mrs Macpherson. Esta estava sentada numa cadeira de rodas, com as mãos no regaço. O seu cabelo fino, branco e prateado, estava apanhado num rolo. Contemplava o jardim, absorta.</p>
<p style="text-align:justify;">— Olá! — saudei.</p>
<p style="text-align:justify;">Virou a cabeça e olhou-me com um olhar vago.</p>
<p style="text-align:justify;">— Feliz Natal, Connie! — continuei. — Encontrei isto. Penso que é seu.</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto eu falava, os olhos dela nunca se desviaram da minha cara. Abri a caixinha de folha e dei-lha. Os olhos dela iluminaram-se num reconhecimento do objecto e a sua face irradiou uma felicidade súbita. Falei-lhe da escrivaninha, de como a encontrara. Creio que não me ouviu. Ficou calada durante algum tempo, enquanto acariciava a carta gentilmente com os dedos</p>
<p style="text-align:justify;">De repente, pegou na minha mão. Tinha os olhos marejados de lágrimas.</p>
<p style="text-align:justify;">— Bem me disseste que vinhas pelo Natal, querido. E eis-te aqui, o melhor presente de Natal do mundo. Vem para perto de mim e senta-te, meu querido Jim.</p>
<p style="text-align:justify;">Sentei-me ao lado dela e beijou-me a face.</p>
<p style="text-align:justify;">— Estava sempre a ler a tua carta. Era como se ouvisse a tua voz dentro da minha cabeça. Era uma maneira de sentir que estavas comigo. E agora estás mesmo. Agora que voltaste, podes ler a carta tu próprio. Queres lê-la? Só quero ouvir a tua voz de novo, Jim. Depois podemos tomar chá. Fiz-te um belo bolo de Natal em maçapão. Sei o quanto adoras maçapão.</p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:right;">Michael Morpurgo<br />
<em>The best Christmas present in the world</em><br />
London, Egmont Books, 2004</p>
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		<title>MyLai: uma análise da maldade em grupo I</title>
		<link>http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/mylai-uma-analise-da-maldade-em-grupo-i-2/</link>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 13:34:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[comportamentos]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[intolerância]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; MyLai: uma análise da maldade em grupo &#160; Prefácio à maldade em grupo Os gatilhos são premidos por indivíduos. As ordens são dadas e cumpridas por indivíduos. Em última análise, cada acto humano é resultado de uma escolha individual. Nenhum dos indivíduos que participou nas atrocidades de MyLai ou no seu encobrimento está isento [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=44&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="margin:0;"><span><strong><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">MyLai: uma análise da maldade em grupo</font></span></strong></span><strong><span style="font-size:14.5pt;"></span></strong></p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="margin:0;"><strong><span style="font-size:13.5pt;"></span></strong></p>
<p style="margin:0;"><strong><span style="font-size:13.5pt;"><font face="Times New Roman">Prefácio à maldade em grupo</font></span></strong></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;"></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;"></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Os gatilhos são premidos por indivíduos. As ordens são dadas e cumpridas por indivíduos. Em última análise, cada acto humano é resultado de uma escolha individual. Nenhum dos indivíduos que participou nas atrocidades de MyLai ou no seu encobrimento está isento de culpa. Até o piloto de helicóptero – o único suficientemente bom e corajoso para tentar impedir o massacre – pode ser culpado por não reportar o que vira para além do primeiro escalão de autoridade acima de si. </font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Há muitos anos que a tendência de comportamento dos grupos humanos me parece semelhante à dos indivíduos – excepto a um nível mais primitivo e imaturo do que se possa pensar. Porque é que isto é assim – porque é o comportamento dos grupos surpreendentemente imaturo – por que motivo, de uma perspectiva psicológica, são estes menos do que a soma das suas partes – já não sei responder. [1] </font><font face="Times New Roman">Mas de uma coisa tenho a certeza, no entanto: existe mais do que uma resposta certa. O fenómeno da imaturidade de grupo é – usando o termo psiquiátrico – &#8220;multi-determinado&#8221;. Quer isto dizer que é o resultado de múltiplas causas. Uma dessas causas é a especialização excessiva. </font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A especialização é uma das grandes vantagens dos grupos. Existem processos para um grupo funcionar muito mais eficientemente do que os indivíduos. Em virtude de os seus funcionários se terem especializado em directores executivos, gráficos, moldadores, e técnicos da linha de montagem (que, por sua vez, são também especializados), a General Motors consegue produzir um número gigantesco de veículos. O nosso padrão de vida extraordinariamente elevado baseia-se inteiramente na especialização da nossa sociedade. O facto de eu possuir os conhecimentos e o tempo para escrever este livro é consequência directa do facto de ser um especialista dentro da nossa comunidade, totalmente dependente de agricultores, mecânicos, editores e vendedores de livros para o meu bem-estar. Dificilmente posso considerar a especialização como uma coisa má. Por outro lado, estou totalmente convencido de que muito do mal dos nossos tempos se relaciona com a especialização, e de que precisamos desesperadamente de desenvolver uma atitude de precaução desconfiada. Penso que deveríamos tratar a especialização com o mesmo grau de desconfiança e medidas de segurança com que tratamos os reactores nucleares. </font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A especialização contribui para a imaturidade dos grupos e para o seu potencial para a maldade através de vários mecanismos diferentes. Por agora, limitar-me-ei a tecer considerações sobre apenas um desses mecanismos: a fragmentação da consciência. Se, na época de MyLai, ao percorrer os corredores do Pentágono, parasse para falar com homens responsáveis pela direcção de produção e transporte de bombas de napalm para o Vietname, e os questionasse sobre a moralidade da guerra e consequentemente sobre a moralidade do que estavam a fazer, esta era a resposta que invariavelmente recebia: </font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Oh, agradecemos a sua preocupação, agradecemos mesmo, mas acho que veio ter com as pessoas erradas. Não somos nós o departamento que deseja. Isto é apenas o departamento do arsenal. Só fornecemos as armas – não somos nós que determinamos onde e como são usadas. Isso é política. Devia era falar com o pessoal da política, ao fundo do corredor. </font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">E se seguisse esta recomendação e exprimisse as mesmas apreensões no departamento de política, a resposta seria: </font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Oh, compreendemos que estão envolvidos assuntos mais complexos, mas acho que estão fora do nosso âmbito. Apenas determinamos como deve ser conduzida a guerra – e não se deve ser conduzida. Compreende, as Forças Armadas são apenas uma secção da divisão executiva. Só fazem o que lhes mandam fazer. Esses assuntos mais complexos são decididos ao nível da Casa Branca, e não aqui. É aí que deve expor as suas apreensões. </font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">E assim por diante.</font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Sempre que os papéis desempenhados por indivíduos num grupo se tornam especializados, torna-se possível e fácil para o indivíduo descartar a responsabilidade moral para qualquer outra parte do grupo. Desta forma, não só o indivíduo põe de lado a sua consciência, como a consciência do grupo como um todo se torna tão fragmentada e diluída que deixa de existir. Veremos esta fragmentação vez após vez, de uma forma ou de outra, na discussão que se segue. O facto é que é inevitável que qualquer grupo permaneça potencialmente sem consciência e mau até que cada um dos indivíduos se sinta pessoal e directamente responsável pelo comportamento do grupo inteiro – do organismo – do qual faz parte. Ainda estamos longe de chegar a esse ponto. </font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Tendo presente a imaturidade psicológica dos grupos, vamos examinar alguns aspectos de ambos os crimes de MyLai: as atrocidades em si e o seu encobrimento. Os dois crimes estão deveras interligados. Embora o encobrimento pareça menos atroz do que o massacre, são ambos farinha do mesmo saco. Como foi possível que tantos indivíduos tenham participado numa maldade tão monstruosa sem que nenhum deles tenha sido compelido pela sua consciência a confessar? </font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O encobrimento foi uma mentira de grupo gigantesca. </font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Como com qualquer mentira, o motivo principal do encobrimento foi o medo. Os indivíduos que cometeram os crimes – que puxaram o gatilho ou que deram as ordens – tinham razões óbvias para recear relatar o que tinham feito. Seriam julgados em tribunal marcial. Mas, então, o que dizer sobre o número muito maior de indivíduos que apenas presenciaram as atrocidades, mas que nada disseram sobre &#8220;aquela coisa tão negra e sangrenta&#8221; [2]</font><span style="color:red;"><span> </span></span><font face="Times New Roman">? O que tinham eles a recear?</font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Qualquer pessoa que dedique algum tempo a pensar sobre a natureza da pressão num grupo percebe que, para um elemento da Força de Intervenção Barker, denunciar um crime fora desse grupo exige uma grande coragem. Quem quer que o fizesse seria chamado &#8220;delator&#8221; ou &#8220;bufo&#8221;. Não existe pior nome que se possa chamar a alguém do que esse. Os bufos são muitas vezes assassinados. No mínimo, são condenados ao ostracismo. Para um vulgar civil americano, o ostracismo pode não parecer um destino assim tão terrível. &#8220;Então, se se for corrido de um grupo, pode-se sempre entrar noutro&#8221;, pode ser uma reacção. Mas lembremo-nos de que um membro das Forças Armadas não é livre para simplesmente aderir a outro grupo. Não pode sequer deixar as Forças Armadas até terminar o seu recrutamento. A própria deserção é um crime enorme. E por isso ele está preso às Forças Armadas, e até mesmo ao seu grupo militar em particular, excepto mediante intervenção das autoridades. Para além disto, as Forças Armadas fazem deliberadamente muitas outras coisas para intensificar o poder da pressão de grupo nas suas fileiras. Do ponto de vista da dinâmica de grupo, e em especial da dinâmica de grupos militares, não será estranho que os elementos da Força de Intervenção Barker não tenham denunciado os crimes do grupo. Nem sequer é surpreendente que o homem que finalmente delatou os crimes não pertencesse nem ao grupo da Força de Intervenção nem às Forças Armadas, na altura em que os denunciou. </font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Suspeito que existe uma outra razão extremamente importante para que os crimes de MyLai tenham ficado por denunciar durante tanto tempo. Não tendo falado com os indivíduos envolvidos, apresento uma mera conjectura. Mas, de facto, falei com muitos, muitos outros soldados que estiveram no Vietname nesses anos, e conheço profundamente as atitudes predominantes nas Forças Armadas naquela época. A minha sincera suspeita, portanto, é que os membros da Força de Intervenção Barker não confessaram os seus crimes por não estarem conscientes de os terem cometido. Claro que sabiam o que tinham feito, mas se tinham ou não a noção do significado e da natureza dos seus actos é outra coisa completamente diferente. Desconfio que muitos deles nem consideram que tenham cometido um crime. Não confessaram porque acharam que não tinham nada para confessar. Indubitavelmente, alguns esconderam a sua culpa. Mas outros, creio eu, não tinham culpas para esconder. </font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Como pode isto ser assim? Como pode um homem equilibrado assassinar e não saber que o fez? </font></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman"><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/mylai-uma-analise-da-maldade-em-grupo-ii/">Continuação: <em>A progressão da responsabilidade colectiva</em></a></font></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;"></span></p>
<p><font face="Times New Roman"><br />
<hr SIZE="1" width="33%" align="left" /></font></p>
<p style="line-height:120%;text-align:justify;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;">[1] É uma questão verdadeiramente importante e merecedora de grande pesquisa e aprofundamento. É um tema não só específico da maldade em grupo em geral – como se não fosse suficiente – mas também crucial para a compreensão de todos os fenómenos de grupos humanos, desde as relações internacionais à natureza da família. </span></font></p>
<p style="line-height:120%;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;">[2] Frase da carta de Ron Ridenhour.</span></font></p>
<p style="line-height:120%;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font></p>
<p style="line-height:120%;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font></p>
<p style="line-height:120%;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font></p>
<p style="line-height:120%;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font></p>
<p style="line-height:120%;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font></p>
<p style="line-height:120%;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font></p>
<p style="line-height:120%;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font></p>
<p style="line-height:120%;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font></p>
<p style="line-height:120%;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font></p>
<p><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size:10.5pt;line-height:120%;"></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">M.Scott Peck</font></span></p>
<p style="margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Gente da Mentira</font></span></em></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Cascais, Sinais de Fogo, 2001</font></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Excertos adaptados</font></span></p>
<p></span></font></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/planetaeclipse.wordpress.com/44/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/planetaeclipse.wordpress.com/44/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/planetaeclipse.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/planetaeclipse.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/planetaeclipse.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/planetaeclipse.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/planetaeclipse.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/planetaeclipse.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/planetaeclipse.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/planetaeclipse.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/planetaeclipse.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/planetaeclipse.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/planetaeclipse.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/planetaeclipse.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/planetaeclipse.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/planetaeclipse.wordpress.com/44/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=44&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>MyLai: uma análise da maldade em grupo IV</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 13:10:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ MyLai III:Dinâmica de grupo: dependência e narcisismo MyLai: uma análise da maldade em grupo &#160; A progressão da responsabilidade colectiva &#160; ·        O grupo especializado: a força de intervenção Barker Já mencionei o potencial para a maldade que vem da especialização. Falei de como o indivíduo especializado está numa posição de passar a responsabilidade moral [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=43&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/mylai-uma-analise-da-maldade-em-grupo-iii/"> MyLai III:<em><font size="3" face="Times New Roman">Dinâmica de grupo: dependência e narcisismo</font></em></a></p>
<p style="margin:0;"><a name="114db1f347fe90b1__Toc142274734" title="114db1f347fe90b1__Toc142274734"></a><a name="114db1f347fe90b1__Toc118128644" title="114db1f347fe90b1__Toc118128644"></a><span><strong><span style="font-size:12.5pt;"><font face="Times New Roman">MyLai: uma análise da maldade em grupo</font></span></strong></span><strong><span style="font-size:12.5pt;"></span></strong></p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="margin:0;"><strong><span style="font-size:12.5pt;"></span></strong></p>
<p style="margin:0;"><strong><span style="font-size:12.5pt;"><font face="Times New Roman">A progressão da responsabilidade colectiva </font></span></strong></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;">&nbsp;</p>
<p style="text-indent:-18pt;margin:0 0 0 36pt;"><span style="font-size:13.5pt;font-family:Symbol;"><span>·<span>        </span></span></span><strong><span style="font-size:13.5pt;"><font face="Times New Roman">O grupo especializado: a força de intervenção Barker </font></span></strong></p>
<p></font></span></p>
<p style="text-indent:-18pt;margin:0 0 0 36pt;"><strong><span style="font-size:13.5pt;"></span></strong></p>
<p style="margin:0;"><strong><span style="font-size:11.5pt;"></span></strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Já mencionei o potencial para a maldade que vem da especialização. Falei de como o indivíduo especializado está numa posição de passar a responsabilidade moral a outra roda dentada especializada da máquina, ou à própria máquina. Mesmo quando falei da regressão que ocorre nos indivíduos quando se tornam seguidores num grupo, estava a falar de especialização. O seguidor não é uma pessoa completa. Quem aceita o papel de não pensar nem liderar falseia a sua capacidade de liderar e de pensar. E como pensar e liderar já não é a sua especialidade ou dever, normalmente perde em consciência durante a troca. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Passando da especialização do indivíduo à especialização de grupo, observamos o mesmo tipo de forças perigosas em acção. A Força de Intervenção Barker era um grupo especializado. Não tinha outros objectivos – como jogar futebol ou construir barragens ou mesmo alimentar-se a si próprio. Existia apenas com um objectivo altamente especializado: procurar e destruir os vietcongues na província de Quang Ngai em 1968. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Quang Ngai. No entanto, o que o leitor pode não perceber é a grande componente de selecção e auto-selecção envolvidas na criação desse grupo. Embora nessa altura os cidadãos fossem recrutados para o serviço militar, a Força de Intervenção Barker não era propriamente uma amostra aleatória da população americana. Os membros mais pacifistas da sociedade excluíram-se a si próprios indo para o Canadá ou declarando-se objectores de consciência. Os membros menos pacifistas que desejavam evitar o combate preferiam normalmente alistar-se nas Forças Armadas em vez de serem recrutados. Ao alistarem-se, podiam optar pela Força Aérea ou pela Marinha, ou por outras especialidades não-combatentes do Exército, que provavelmente não os enviariam para o Vietname. A Força de Intervenção Barker era constituída quer por pessoal militar de carreira que optara deliberadamente pelas armas de combate, quer por &#8220;rufias&#8221; que haviam feito o mesmo (ou que, por qualquer outra razão, não conseguiram escapar ao facilmente evitável posto de soldado de infantaria). </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Até ao final de 1968, bastante depois de MyLai, a guerra do Vietname foi travada, do lado americano, quase inteiramente por voluntários. Para muitos soldados de carreira, uma comissão de serviço no Vietname era muito desejada e procurada. Significava medalhas, excitação, mais dinheiro e promoção garantida. Existia um sistema único de voluntariado para jovens alistados. Quem se apresentasse como voluntário para o Vietname podia ter a certeza de três coisas: uma mudança de lugar, uma licença imediata e um bónus. Estes incentivos eram suficientes para garantir um fornecimento adequado de &#8220;carne para canhão&#8221; voluntária até ao posterior aumento do envolvimento das tropas militares americanas na guerra a seguir a MyLai. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O caso de um indivíduo prototípico pode ilustrar alguns aspectos do relacionamento entre a sociedade americana em 1968, as suas Forças Armadas e o subgrupo militar que combatia no Vietname. Chamemos a este indivíduo prototípico &#8220;Larry&#8221; e fixemos o seu local de origem em Iowa. Sendo o mais velho de seis irmãos, filhos de um pai agricultor por conta de outrem, alcoólico, e da sua extenuada mulher, Larry era sem dúvida um tormento desde que atingira a puberdade. Desistindo do liceu aos dezasseis anos, em 1965, sustentou-se parcamente com empregos esporádicos que não chegavam para pagar o seguro do seu automóvel, a gasolina e um estilo de vida que incluía muita bebida. Em Novembro de 1966, foi apanhado a tentar roubar uma estação de gasolina local. A comunidade adorou ver-se livre de Larry, mas ao mesmo tempo não queria aumentar a população prisional nem os impostos. Afinal de contas, o dinheiro tinha sido recuperado e não tinha ocorrido nenhum mal maior. E assim o juiz do condado disse a Larry que tinha duas opções: ou se alistava no Exército ou ia para a prisão. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A partir daí foi tudo muito simples. O pequeno gabinete do serviço de recrutamento do Exército funcionava no mesmo prédio que o do juiz. Escusado será dizer que existiam vagas na infantaria. Larry alistou-se para prestar serviço na Alemanha, pois ouvira dizer que as raparigas eram fáceis, e no espaço de uma semana estava a caminho de Fort Leonard Wood, no Missouri, para o treino básico. O treino de infantaria básica e mais tarde avançada (AIT) mantiveram-no tão ocupado que nem teve tempo para arranjar sarilhos. Mas tudo mudou quando chegou à Alemanha. As raparigas eram tão boas como deviam ser e a cerveja era mesmo óptima. Mas os preços eram altos. Pediu dinheiro emprestado e teve dificuldades em pagá-lo. Vendeu algum haxixe para um <em>deale</em>r mais importante, o que ajudou, mas depois o seu fornecedor resolveu mudar-se. As dívidas aumentaram. Larry, agora quase com dezanove anos, podia ver como iam acabar as coisas. Ou os seus credores lhe davam uma sova ou denunciavam-no no negócio do haxixe. Mas tinha uma saída. Alistou-se secretamente no Vietname e em três dias estava num avião de regresso aos Estados Unidos, deixando para trás os seus problemas. Sentiu-se bem. Tinha recebido o seu bónus para estoirar numa licença de dez dias de regresso ao Iowa, revendo os velhos amigos e impressionando as raparigas. Quanto ao futuro depois disso, não estava minimamente preocupado. Ouvira dizer que as mulheres no Nam eram ainda melhores do que as da Alemanha e, além do mais, seria excitante ver a verdadeira acção, para variar. Dar uns tiros nalguns Gooks até podia ser divertido. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Infelizmente, apesar da óbvia contribuição que seria para a nossa compreensão, nunca foi feita uma análise sociológica à Força de Intervenção Barker. Consequentemente, não posso dizer nada de científico. Não quero sugerir que o grupo inteiro fosse constituído de pequenos criminosos como &#8220;Larry&#8221;. Mas estou convencido de que a Companhia Charlie e a Força de Intervenção Barker não eram representativas do perfil transversal médio do povo americano. Todos os seus elementos chegaram a MyLai em Março de 1968, por razões de história pessoal e auto-selecção, através de um sistema de selecção também estabelecido pelas Forças Armadas americanas e pela sociedade americana como um todo. Não era um grupo de homens formado ao acaso. Era altamente especializado, não só na sua missão mas também na sua composição única. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A composição humana especializada da Força de Intervenção Barker (e de inúmeros outros grupos humanos) levanta três tópicos significativos. Primeiro, há a questão da flexibilidade que se pode esperar de seres humanos especializados. A Companhia Charlie era um grupo especializado de assassinos. Os indivíduos que a compunham tinham, por uma razão ou por outra, assumido o papel de assassinos, e tinham também sido deliberadamente seduzidos pelo sistema para esse papel. Além disso, treinámo-los para esse papel e entregámos-lhes armas para o desempenharem. Será assim tão surpreendente que, dada uma série de outras circunstâncias favoráveis, tenham assassinado indiscriminadamente? Ou que aparentemente não tenham sentido uma enorme culpa em relação àquilo que os levámos a fazer? Será realista encorajar e manipular seres humanos para formarem grupos especializados e simultaneamente esperar que eles, sem qualquer treino significativo, mantenham uma amplitude de visão muito para além da sua especialidade? </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Um segundo tópico é o recurso subtil mas peremptório ao bode expiatório. O prototípico Larry era um ladrão e aldrabão insignificante, um tipo desagradável pelo qual não é fácil sentir simpatia. Mas também era um bode expiatório. E quando os membros da sua comunidade o empurraram para o Exército, não estavam a tentar lidar com o problema social e humano que ele personificava, mas simplesmente a livrar-se do problema. Purificaram a sua própria comunidade, despejando o lixo nas Forças Armadas e sacrificando Larry ao Deus da Guerra. E também se serviram das Forças Armadas como bode expiatório. Porque uma das funções subliminares das Forças Armadas é, sem dúvida, servir como depósito de alguns dos mais indesejáveis jovens americanos – uma espécie de reformatório nacional. Mas o facto de este sistema funcionar sem percalços, e nem sempre com maus resultados, não nos devia cegar para a natureza expiatória do seu processo. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O Exército fez de Larry um bode expiatório ainda maior, ao seduzi-lo para o Vietname. Por um lado, isto tem toda a lógica, do ponto de vista social. Porque é que não hão-de ser os indivíduos como Larry, desordeiros e desajustados, os candidatos mais apropriados para servir de carne para canhão? Se alguém tem de ser morto, porque não aqueles de valor social aparentemente baixo? Mas a decisão de matar não foi de Larry. Nem do Tenente Calley. Nem do seu oficial superior, o Capitão Medina. Nem do Tenente-Coronel Barker. Foi uma decisão dos Estados Unidos da América. Por alguma razão, os Estados Unidos decidiram que haveria matança e, ao matarem, estes homens estavam a obedecer à vontade dos Estados Unidos. Podem ter parecido mais sujos e menos dignos do que o americano comum, mas o facto é que nós, americanos, enquanto sociedade, os escolhemos e empregámos deliberadamente para levarem a cabo a nossa matança – o nosso trabalho sujo – por nós. Nesse sentido, foram todos nossos bodes expiatórios. </font></span></p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
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<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">M.Scott Peck</font></span></p>
<p style="margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Gente da Mentira</font></span></em></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Cascais, Sinais de Fogo, 2001</font></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Excertos adaptados</font></span></p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/planetaeclipse.wordpress.com/43/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/planetaeclipse.wordpress.com/43/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/planetaeclipse.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/planetaeclipse.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/planetaeclipse.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/planetaeclipse.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/planetaeclipse.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/planetaeclipse.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/planetaeclipse.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/planetaeclipse.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/planetaeclipse.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/planetaeclipse.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/planetaeclipse.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/planetaeclipse.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/planetaeclipse.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/planetaeclipse.wordpress.com/43/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=43&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>MyLai: uma análise da maldade em grupo II</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 13:09:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[comportamentos]]></category>
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		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[MyLay I MyLai: uma análise da maldade em grupo &#160; &#160; A progressão da responsabilidade colectiva ·        O Indivíduo sob Pressão Quando tinha dezasseis anos tirei os quatro dentes do siso nas férias da Primavera. Durante os cinco dias seguintes o maxilar não só me doía, como inchou e fechou. Não conseguia mastigar sólidos – [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=42&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>MyLay I</em></p>
<p style="margin:0;"><a name="114daf98bfa18605__Toc142274734" title="114daf98bfa18605__Toc142274734"></a><a name="114daf98bfa18605__Toc118128644" title="114daf98bfa18605__Toc118128644"></a><span><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">MyLai: uma análise da maldade em grupo</font></span></span></p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="margin:0;"><strong><span style="font-size:13.5pt;"></span></strong></p>
<p style="margin:0;"><strong><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">A progressão da responsabilidade colectiva </font></span></strong></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:14.5pt;"></span></p>
<p></font></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:14.5pt;"></span></p>
<p style="text-indent:-18pt;margin:0 0 0 36pt;"><span style="font-size:13.5pt;font-family:Symbol;"><span>·<span>        </span></span></span><strong><span style="font-size:13.5pt;"><font face="Times New Roman">O Indivíduo sob Pressão </font></span></strong></p>
<p></font></span></p>
<p style="margin:0;"><strong><span style="font-size:13.5pt;"></span></strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Quando tinha dezasseis anos tirei os quatro dentes do siso nas férias da Primavera. Durante os cinco dias seguintes o maxilar não só me doía, como inchou e fechou. Não conseguia mastigar sólidos – só líquidos ou comida de bebé insípida. O sabor fétido a sangue estava constantemente na minha boca. No final daqueles cinco dias, o nível do meu funcionamento psíquico tinha sido reduzido ao dos três anos de idade. Tornara-me completamente egocêntrico. Era rabugento e piegas com os outros. Esperava que tivessem constante atenção para comigo. Quando qualquer pequenina coisa não corria precisamente como e quando eu queria, vinham-me as lágrimas aos olhos e o meu desagrado era enorme. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Acredito que quem já sofreu uma dor ou mal-estar crónicos significativos – por exemplo, durante uma semana – reconhece a experiência que acabo de descrever. Numa situação de mal-estar prolongado, nós, humanos, tendemos natural e quase inevitavelmente a regredir. O nosso crescimento psicológico inverte-se; a nossa maturidade é posta de lado. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Muito rapidamente nos tornamos mais infantis, mais primitivos. O mal-estar é pressão. O que estou a descrever é uma tendência do organismo humano para regredir em resposta à pressão crónica. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A vida de um soldado em zona de combate é repleta de pressão crónica. Embora o Exército tivesse feito o que podia para minimizar a pressão nas tropas no Vietname (facultando sempre que possível entretenimento, períodos recreativos e de descanso e outras formas de relaxamento), o facto é que as tropas da Força de Intervenção Barker estavam sujeitas a uma situação crónica de pressão. Estavam no lado do mundo oposto a casa. A comida era má, o calor enervante, o alojamento desconfortável. Depois havia o perigo, geralmente menos grave no Vietname do que noutras guerras, mas talvez exercendo mais pressão por ser tão imprevisível. Chegava durante a noite, sob a forma de rajadas de morteiros quando os soldados achavam que estavam em segurança, armadilhas que os soldados faziam disparar quando iam a caminho das latrinas, minas que explodiam as pernas de um homem quando percorria uma bonita ladeira. O facto de a Força de Intervenção Barker não se ter deparado com o inimigo que esperava naquele dia memorável era típico da natureza do combate no Vietname. O inimigo aparecia quando menos se esperava. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Além da regressão, há outro mecanismo com o qual os seres humanos respondem à pressão. Trata-se de um mecanismo de defesa. Robert J. Lifton, que estudou os sobreviventes de Hiroshima e de outros desastres, chamou-lhe &#8220;dormência psíquica&#8221;. Numa situação em que os nossos sentimentos emocionais são esmagadoramente dolorosos ou desagradáveis, temos a capacidade de nos anestesiarmos. É uma coisa relativamente simples. A visão de um só corpo desmantelado e sangrento horroriza-nos. Mas se virmos corpos desses à nossa volta todos os dias, dia após dia, o horrível torna-se normal e perdemos a sensação de horror. Pura e simplesmente, desligamos. A nossa capacidade para o horror atrofia. Não conseguimos mais ver o sangue, ou cheirar o fedor ou sentir a agonia. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Inconscientemente ficamos anestesiados. Esta capacidade de auto-anestesia emocional tem obviamente as suas vantagens. Sem dúvida, a evolução foi-nos munindo desta característica que aumenta a nossa capacidade de sobrevivência. Permite-nos continuar a funcionar em situações tão drásticas que sucumbiríamos se preservássemos a nossa sensibilidade normal. O problema, no entanto, é que este mecanismo de auto-anestesia não parece ser muito específico. Se por vivermos no meio do lixo a nossa sensibilidade ao que é feio diminui, é provável que nós próprios comecemos a espalhar detritos e lixo à nossa volta. Insensíveis ao nosso próprio sofrimento, tornamo-nos insensíveis ao sofrimento dos outros. Tratados indignadamente, perdemos não só o sentido da nossa própria dignidade como também o sentido da dignidade dos outros. Quando já não nos incomoda ver corpos mutilados, deixa de nos incomodar mutilá-los nós. É de facto difícil fechar selectivamente os olhos a um certo tipo de brutalidade sem os fechar a toda a brutalidade. Como podemos tornar-nos insensíveis à brutalidade senão tornando-nos nós brutos? </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Creio que então podemos assumir que, depois de um mês no campo com a Força de Intervenção Barker – um mês de má comida, de pouco sono, de ver camaradas mortos ou aleijados – o soldado comum estaria psicologicamente mais imaturo, primitivo e bruto do que poderia estar numa época e lugar de menos pressão. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">E se normalmente regredimos em face da pressão, não poderemos dizer que os seres humanos têm mais tendência a ser maus em tempos de pressão do que em tempos de bem-estar? Eu creio que sim. Perguntamos como é que um grupo de cinquenta ou quinhentos indivíduos – dos quais poderíamos supor que apenas uma pequena minoria fosse má – pode ter cometido uma tamanha maldade como MyLai. Uma das respostas é que, devido à contínua pressão a que estavam sujeitos, os indivíduos da Força de Intervenção Barker eram mais imaturos e portanto piores do que seria de esperar numa situação normal. Em consequência da pressão, a distribuição normal do Bem e do Mal pendeu na direcção do Mal. No entanto, como veremos, este é apenas um dos factores que contribuiu para a maldade em MyLai. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Tendo considerado a relação entre a maldade e a pressão, será adequado referir a relação entre a bondade e a pressão. Aquele que se comporta com dignidade em tempos fáceis – por assim dizer, um amigo nos tempos bons – pode não ser assim tão digno quando as coisas correm mal. A pressão é um teste à bondade. Os verdadeiramente bons são aqueles que em tempos de pressão não abandonam a sua integridade, nem a sua maturidade e sensibilidade. A dignidade pode ser definida como a capacidade de não regredir em face da degradação, de não se tornar cego perante a dor, de tolerar a agonia e permanecer intacto. Tal como disse atrás, &#8220;uma medida – e talvez a melhor medida – da grandeza de uma pessoa, é a sua capacidade para o sofrimento&#8221;. </font><a name="114daf98bfa18605__ftnref1" target="_blank" href="http://mail.google.com/mail/?view=page&amp;name=gp&amp;ver=sh3fib53pgpk#_ftn1" title="114daf98bfa18605__ftnref1"><span><span style="line-height:150%;"><span><span><span style="font-size:11.5pt;"><font face="Times New Roman">[1]</font></span></span></span></span></span></a></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;"></span></p>
<p><font face="Times New Roman"><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/mylai-uma-analise-da-maldade-em-grupo-iii/">Continuação: <span style="font-size:13.5pt;"><em>Dinâmica de grupo: dependência e narcisismo</em></span></a></font></p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">M.Scott Peck</font></span></p>
<p style="margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Gente da Mentira</font></span></em></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Cascais, Sinais de Fogo, 2001</font></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Excertos adaptados</font></span></p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p><font face="Times New Roman"></p>
<hr SIZE="1" width="33%" align="left" /></font></p>
<p style="margin:0;"><a name="114daf98bfa18605__ftn1" target="_blank" href="http://mail.google.com/mail/?view=page&amp;name=gp&amp;ver=sh3fib53pgpk#_ftnref1" title="114daf98bfa18605__ftn1"><span style="font-size:10.5pt;"><span><span style="font-size:10.5pt;">[1]</span></span></span></a><span style="font-size:10.5pt;"><font face="Times New Roman"> <em>The Road Less Traveled</em> (Simon &amp; Schuster, 1978), pág.76 [<em> O Caminho Menos Percorrido</em> (Sinais de Fogo, 1999), pág. 80].</font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/planetaeclipse.wordpress.com/42/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/planetaeclipse.wordpress.com/42/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/planetaeclipse.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/planetaeclipse.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/planetaeclipse.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/planetaeclipse.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/planetaeclipse.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/planetaeclipse.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/planetaeclipse.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/planetaeclipse.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/planetaeclipse.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/planetaeclipse.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/planetaeclipse.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/planetaeclipse.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/planetaeclipse.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/planetaeclipse.wordpress.com/42/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=42&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>MyLai: uma análise da maldade em grupo III</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 13:07:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
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		<description><![CDATA[MyLay II O Indivíduo sob pressão A progressão da responsabilidade colectiva &#160; ·        Dinâmica de grupo: dependência e narcisismo Os indivíduos não regridem apenas em alturas de pressão, também o fazem em situações de grupo. Um dos aspectos desta regressão é o fenómeno de dependência do líder. É, de facto, admirável. Reúna qualquer pequeno grupo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=41&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/mylai-uma-analise-da-maldade-em-grupo-ii/">MyLay II <em>O Indivíduo sob pressão</em></a></p>
<p style="margin:0;"><strong><span style="font-size:12.5pt;"><font face="Times New Roman">A progressão da responsabilidade colectiva </font></span></strong></p>
<p style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;">&nbsp;</p>
<p style="text-indent:-18pt;margin:0 0 0 36pt;"><span style="font-size:13.5pt;font-family:Symbol;"><span>·<span>        </span></span></span><strong><span style="font-size:13.5pt;"><font face="Times New Roman">Dinâmica de grupo: dependência e narcisismo </font></span></strong></p>
<p></font></span></p>
<p style="margin:0;"><strong><span style="font-size:13.5pt;"></span></strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Os indivíduos não regridem apenas em alturas de pressão, também o fazem em situações de grupo. Um dos aspectos desta regressão é o fenómeno de dependência do líder. É, de facto, admirável. Reúna qualquer pequeno grupo de estranhos – cerca de uma dúzia –, e quase sempre a primeira coisa que acontece é que um ou dois deles rapidamente assumem o papel de líder do grupo. Não acontece devido a um processo racional de eleição consciente. Acontece naturalmente – espontânea e inconscientemente. Porque é que acontece tão fácil e rapidamente? Uma razão, claro, é que existem indivíduos mais capazes de liderar os outros ou que desejam liderar mais do que os outros. Mas a razão mais básica é outra: é que a maioria das pessoas preferem ser seguidores. Mais do que qualquer outra coisa, é provavelmente uma questão de preguiça. É simplesmente mais fácil seguir e ser um seguidor em vez de um líder. Não se torna necessário agonizar sobre decisões complexas, planear em relação ao futuro, tomar iniciativas, arriscar a impopularidade ou ter muita coragem. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O problema é que o papel de um seguidor é um papel de criança. O indivíduo adulto é mestre do seu próprio navio, director do seu destino. Mas quando assume o papel de seguidor, delega no líder este poder: a sua autoridade sobre si mesmo e a sua maturidade como tomador de decisões. Torna-se psicologicamente dependente do líder, tal como uma criança é dependente dos pais. Desta forma, há uma forte tendência para o indivíduo comum regredir emocionalmente assim que se torna membro de um grupo.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O objectivo do Primeiro Pelotão da Companhia Charlie da Força de Intervenção Barker não era o de criar líderes, mas o de matar vietcongues. Na realidade, para atingirem os seus objectivos, as Forças Armadas desenvolveram e fomentaram um estilo de liderança de grupo que é essencialmente oposto ao de uma terapia de grupo. É uma velha máxima que os soldados não são feitos para pensar. Os líderes não são eleitos a partir de dentro do grupo mas nomeados a partir de cima e transformados em símbolos de autoridade. A disciplina militar por excelência é a obediência. A dependência do soldado em relação ao seu líder não é só encorajada, é obrigatória.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003ca title\u003d\"\" href\u003d\"http://mail.google.com/mail/?view\u003dpage&amp;name\u003dgp&amp;ver\u003dsh3fib53pgpk#_ftn1\" name\u003d\"114db16494aff45a__ftnref1\" target\u003d\"_blank\" onclick\u003d\"return top.js.OpenExtLink(window,event,this)\"\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"line-height:150%\"\&amp;gt;\n\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt\"\&amp;gt;\n\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;[1]\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/a\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; Dada a natureza da sua missão, as Forças Armadas fomentam de forma intencional e provavelmente realista a dependência regressiva que ocorre naturalmente nos indivíduos dentro dos seus grupos.\n",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O problema é que o papel de um seguidor é um papel de criança. O indivíduo adulto é mestre do seu próprio navio, director do seu destino. Mas quando assume o papel de seguidor, delega no líder este poder: a sua autoridade sobre si mesmo e a sua maturidade como tomador de decisões. Torna-se psicologicamente dependente do líder, tal como uma criança é dependente dos pais. Desta forma, há uma forte tendência para o indivíduo comum regredir emocionalmente assim que se torna membro de um grupo. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O objectivo do Primeiro Pelotão da Companhia Charlie da Força de Intervenção Barker não era o de criar líderes, mas o de matar vietcongues. Na realidade, para atingirem os seus objectivos, as Forças Armadas desenvolveram e fomentaram um estilo de liderança de grupo que é essencialmente oposto ao de uma terapia de grupo. É uma velha máxima que os soldados não são feitos para pensar. Os líderes não são eleitos a partir de dentro do grupo mas nomeados a partir de cima e transformados em símbolos de autoridade. A disciplina militar por excelência é a obediência. A dependência do soldado em relação ao seu líder não é só encorajada, é obrigatória. </font><span><span style="line-height:150%;"><span><span><span style="font-size:11.5pt;"><font face="Times New Roman">[1]</font></span></span></span></span></span><font face="Times New Roman"> Dada a natureza da sua missão, as Forças Armadas fomentam de forma intencional e provavelmente realista a dependência regressiva que ocorre naturalmente nos indivíduos dentro dos seus grupos. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Em situações como a de MyLai, o soldado individual é uma situação praticamente impossível. Por um lado, lembra-se vagamente de ter ouvido numa aula que não precisa de renunciar à sua consciência e deve ter uma independência de julgamento adulta – até um dever – de recusar obedecer a uma ordem ilegal. Por outro lado, a organização militar e a sua dinâmica de grupo fazem todos os possíveis para tornar tão doloroso, difícil e anti-natural quanto possível que o soldado exerça independência de julgamento ou desobedeça. Não é claro que as ordens da Companhia Charlie tenham sido &quot;matar tudo o que se mexa&quot;, ou &quot;dizimar a aldeia&quot;. Mas se foram, será de admirar que as tropas tenham seguido essas ordens dos seus líderes? Esperaríamos, pelo contrário, que se tivessem amotinado em massa?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Se o motim em massa parece um tanto forçado, não poderíamos pelo menos prever um número reduzido de indivíduos que tivesse suficiente coragem para se revoltar contra o seu líder? Não necessariamente. Já fiz referência ao facto de que os padrões de comportamento de grupo são notoriamente semelhantes aos do indivíduo. Isto porque o grupo é um organismo. Tende a funcionar como uma entidade única. Um grupo de indivíduos comporta-se como uma unidade devido ao que é conhecido como coesão de grupo. Existem forças poderosas em jogo dentro de um grupo por forma a manter os seus membros individuais juntos e \nem linha. Quando estas forças de coesão falham, o grupo começa a desintegrar-se e deixa de ser um grupo.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Em situações como a de MyLai, o soldado individual é uma situação praticamente impossível. Por um lado, lembra-se vagamente de ter ouvido numa aula que não precisa de renunciar à sua consciência e deve ter uma independência de julgamento adulta – até um dever – de recusar obedecer a uma ordem ilegal. Por outro lado, a organização militar e a sua dinâmica de grupo fazem todos os possíveis para tornar tão doloroso, difícil e anti-natural quanto possível que o soldado exerça independência de julgamento ou desobedeça. Não é claro que as ordens da Companhia Charlie tenham sido &#8220;matar tudo o que se mexa&#8221;, ou &#8220;dizimar a aldeia&#8221;. Mas se foram, será de admirar que as tropas tenham seguido essas ordens dos seus líderes? Esperaríamos, pelo contrário, que se tivessem amotinado em massa? </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Se o motim em massa parece um tanto forçado, não poderíamos pelo menos prever um número reduzido de indivíduos que tivesse suficiente coragem para se revoltar contra o seu líder? Não necessariamente. Já fiz referência ao facto de que os padrões de comportamento de grupo são notoriamente semelhantes aos do indivíduo. Isto porque o grupo é um organismo. Tende a funcionar como uma entidade única. Um grupo de indivíduos comporta-se como uma unidade devido ao que é conhecido como coesão de grupo. Existem forças poderosas em jogo dentro de um grupo por forma a manter os seus membros individuais juntos e em linha. Quando estas forças de coesão falham, o grupo começa a desintegrar-se e deixa de ser um grupo.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman"><!-- D(["mb","Provavelmente, a mais poderosa destas forças de coesão é o narcisismo. Na sua forma mais simples e benigna, manifesta-se em orgulho do grupo. Quanto mais orgulhosos os membros do grupo se sentem do grupo, mais este se sente orgulhoso de si mesmo. Mais uma vez, as Forças Armadas fazem deliberadamente mais do que a maioria das outras organizações para fomentar o orgulho dentro dos seus grupos. Fazem-no através de uma série de meios diferentes, tais como desenvolver insígnias de grupo – bandeiras por unidades, divisas nos ombros e até destaques especiais de uniformes, como é o caso dos Boinas Verdes\n\u003c/font\&amp;gt;\u003ca title\u003d\"\" href\u003d\"http://mail.google.com/mail/?view\u003dpage&amp;name\u003dgp&amp;ver\u003dsh3fib53pgpk#_ftn2\" name\u003d\"114db16494aff45a__ftnref2\" target\u003d\"_blank\" onclick\u003d\"return top.js.OpenExtLink(window,event,this)\"\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"line-height:150%\"\&amp;gt;\n\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt\"\&amp;gt;\n\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;[2]\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/a\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; – e incentivar a competição entre grupos, desde os desportos de intramuros à comparação de pontos por unidades. \u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Uma forma de narcisismo de grupo menos benigna mas praticamente universal é o que se pode chamar &quot;criação do inimigo&quot;, ou ódio pelos &quot;fora-do-grupo&quot;. Podemos observar isto naturalmente nas crianças, à medida que aprendem a formar grupos.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003ca title\u003d\"\" href\u003d\"http://mail.google.com/mail/?view\u003dpage&amp;name\u003dgp&amp;ver\u003dsh3fib53pgpk#_ftn3\" name\u003d\"114db16494aff45a__ftnref3\" target\u003d\"_blank\" onclick\u003d\"return top.js.OpenExtLink(window,event,this)\"\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"line-height:150%\"\&amp;gt;\n\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt\"\&amp;gt;\n\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;[3]\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/a\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; Os grupos tornam-se exclusivos. Aqueles que não pertencem ao grupo (ao clube ou ao grupo exclusivo) são desprezados como sendo inferiores, ou maus, ou ambos. Se um grupo não possuir já um inimigo, muito provavelmente há-de criar um muito rapidamente. A Força de Intervenção Barker, é evidente, tinha um inimigo predeterminado: os vietcongues. Mas estes eram na sua maioria naturais do país do povo sul-vietnamita, do qual eram frequentemente impossíveis de distinguir. Inevitavelmente, o inimigo específico generalizou-se a toda a população vietnamita, pelo que o soldado americano comum não odiava apenas os vietcongues, mas sim os Gooks\n",1] );  //-->Provavelmente, a mais poderosa destas forças de coesão é o narcisismo. Na sua forma mais simples e benigna, manifesta-se em orgulho do grupo. Quanto mais orgulhosos os membros do grupo se sentem do grupo, mais este se sente orgulhoso de si mesmo. Mais uma vez, as Forças Armadas fazem deliberadamente mais do que a maioria das outras organizações para fomentar o orgulho dentro dos seus grupos. Fazem-no através de uma série de meios diferentes, tais como desenvolver insígnias de grupo – bandeiras por unidades, divisas nos ombros e até destaques especiais de uniformes, como é o caso dos Boinas Verdes </font><span><span style="line-height:150%;"><span><span><span style="font-size:11.5pt;"><font face="Times New Roman">[2]</font></span></span></span></span></span><font face="Times New Roman"> – e incentivar a competição entre grupos, desde os desportos de intramuros à comparação de pontos por unidades. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Uma forma de narcisismo de grupo menos benigna mas praticamente universal é o que se pode chamar &#8220;criação do inimigo&#8221;, ou ódio pelos &#8220;fora-do-grupo&#8221;. Podemos observar isto naturalmente nas crianças, à medida que aprendem a formar grupos. </font><span><span style="line-height:150%;"><span><span><span style="font-size:11.5pt;"><font face="Times New Roman">[3]</font></span></span></span></span></span><font face="Times New Roman"> Os grupos tornam-se exclusivos. Aqueles que não pertencem ao grupo (ao clube ou ao grupo exclusivo) são desprezados como sendo inferiores, ou maus, ou ambos. Se um grupo não possuir já um inimigo, muito provavelmente há-de criar um muito rapidamente. A Força de Intervenção Barker, é evidente, tinha um inimigo predeterminado: os vietcongues. Mas estes eram na sua maioria naturais do país do povo sul-vietnamita, do qual eram frequentemente impossíveis de distinguir. Inevitavelmente, o inimigo específico generalizou-se a toda a população vietnamita, pelo que o soldado americano comum não odiava apenas os vietcongues, mas sim os Gooks <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003ca title\u003d\"\" href\u003d\"http://mail.google.com/mail/?view\u003dpage&amp;name\u003dgp&amp;ver\u003dsh3fib53pgpk#_ftn4\" name\u003d\"114db16494aff45a__ftnref4\" target\u003d\"_blank\" onclick\u003d\"return top.js.OpenExtLink(window,event,this)\"\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"line-height:150%\"\&amp;gt;\n\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt\"\&amp;gt;\n\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;[4]\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/a\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; em geral.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;É praticamente do conhecimento geral que a melhor forma de cimentar a coesão de grupo é fomentar o ódio do grupo em relação a um inimigo exterior. As deficiências dentro do grupo podem ser facilmente ignoradas em virtude de se centrar a atenção nas deficiências ou ofensas dos fora-do-grupo. Assim, os alemães de Hitler puderam ignorar os problemas domésticos tomando os judeus como bodes expiatórios. E quando as tropas americanas não conseguiam combater eficazmente na Nova Guiné durante a Segunda Guerra Mundial, o Comando incentivava o seu espírito de classe ao mostrar filmes de japoneses a cometerem atrocidades. Mas esta utilização do narcisismo – quer seja deliberada, quer inconsciente – é potencialmente má. Examinámos extensivamente os modos em que os indivíduos maus fogem à auto-análise e à culpa, responsabilizando e tentando destruir o que quer ou quem quer que aponte as suas próprias deficiências. Agora vemos que o mesmo comportamento narcisista maligno ocorre naturalmente nos grupos.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Por tudo isto deve ser óbvio que o grupo que fracassa é o que provavelmente terá um comportamento mais maldoso. O fracasso fere o nosso orgulho e é o animal ferido que se torna perverso. Num organismo saudável, o fracasso é um estímulo para a auto-análise e a crítica. Mas como o indivíduo mau não tolera a autocrítica, é em momentos de fracasso que ele ou ela invariavelmente atacam de uma maneira ou de outra. E o mesmo se passa com os grupos. O fracasso do grupo e o estímulo à sua autocrítica ferem o orgulho e a coesão do grupo. Por isso, em todas as épocas e lugares, os líderes reforçam habitualmente a coesão dos grupos nas alturas de fracasso atiçando o ódio do grupo pelos estrangeiros ou pelo &quot;inimigo&quot;.\n",1] );  //--></font><span><span style="line-height:150%;"><span><span><span style="font-size:11.5pt;"><font face="Times New Roman">[4]</font></span></span></span></span></span><font face="Times New Roman"> em geral.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">É praticamente do conhecimento geral que a melhor forma de cimentar a coesão de grupo é fomentar o ódio do grupo em relação a um inimigo exterior. As deficiências dentro do grupo podem ser facilmente ignoradas em virtude de se centrar a atenção nas deficiências ou ofensas dos fora-do-grupo. Assim, os alemães de Hitler puderam ignorar os problemas domésticos tomando os judeus como bodes expiatórios. E quando as tropas americanas não conseguiam combater eficazmente na Nova Guiné durante a Segunda Guerra Mundial, o Comando incentivava o seu espírito de classe ao mostrar filmes de japoneses a cometerem atrocidades. Mas esta utilização do narcisismo – quer seja deliberada, quer inconsciente – é potencialmente má. Examinámos extensivamente os modos em que os indivíduos maus fogem à auto-análise e à culpa, responsabilizando e tentando destruir o que quer ou quem quer que aponte as suas próprias deficiências. Agora vemos que o mesmo comportamento narcisista maligno ocorre naturalmente nos grupos. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Por tudo isto deve ser óbvio que o grupo que fracassa é o que provavelmente terá um comportamento mais maldoso. O fracasso fere o nosso orgulho e é o animal ferido que se torna perverso. Num organismo saudável, o fracasso é um estímulo para a auto-análise e a crítica. Mas como o indivíduo mau não tolera a autocrítica, é em momentos de fracasso que ele ou ela invariavelmente atacam de uma maneira ou de outra. E o mesmo se passa com os grupos. O fracasso do grupo e o estímulo à sua autocrítica ferem o orgulho e a coesão do grupo. Por isso, em todas as épocas e lugares, os líderes reforçam habitualmente a coesão dos grupos nas alturas de fracasso atiçando o ódio do grupo pelos estrangeiros ou pelo &#8220;inimigo&#8221;. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Voltando ao assunto específico da nossa análise, recordemos que na época de MyLai a operação da Força de Intervenção Barker tinha sido um fracasso. Depois de mais de um mês no terreno, o inimigo ainda não tinha sido confrontado. Ainda assim, os americanos tinham sofrido baixas de uma forma lenta e regular. A contagem de corpos do inimigo, no entanto, era zero. Ao fracassar a sua missão – que antes do mais consistia em matar – a liderança do grupo estava ainda mais sedenta por sangue. Dadas as circunstâncias, a sede tornara-se indiscriminada e as tropas satisfá-la-iam sem pensar.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;M.Scott Peck\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Gente da Mentira\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Cascais, Sinais de Fogo, 2001\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Excertos adaptados\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cdiv\&amp;gt;\u003cbr clear\u003d\"all\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n\u003chr align\u003d\"left\" width\u003d\"33%\" size\u003d\"1\"\&amp;gt;\n\u003c/font\&amp;gt;\n\u003cdiv\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Voltando ao assunto específico da nossa análise, recordemos que na época de MyLai a operação da Força de Intervenção Barker tinha sido um fracasso. Depois de mais de um mês no terreno, o inimigo ainda não tinha sido confrontado. Ainda assim, os americanos tinham sofrido baixas de uma forma lenta e regular. A contagem de corpos do inimigo, no entanto, era zero. Ao fracassar a sua missão – que antes do mais consistia em matar – a liderança do grupo estava ainda mais sedenta por sangue. Dadas as circunstâncias, a sede tornara-se indiscriminada e as tropas satisfá-la-iam sem pensar. </font></span></p>
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<p style="margin:0;"><font face="Times New Roman"><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/mylai-uma-analise-da-maldade-em-grupo-i/">Continuação: <em><font size="3">O grupo especializado: a força de intervenção Barker</font></em></a></font></p>
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<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">M.Scott Peck</font></span></p>
<p style="margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Gente da Mentira</font></span></em></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Cascais, Sinais de Fogo, 2001</font></span></p>
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<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Excertos adaptados</font></span></p>
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<hr SIZE="1" width="33%" align="left" /></font></p>
<p><!-- D(["mb","\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ca title\u003d\"\" href\u003d\"http://mail.google.com/mail/?view\u003dpage&amp;name\u003dgp&amp;ver\u003dsh3fib53pgpk#_ftnref1\" name\u003d\"114db16494aff45a__ftn1\" target\u003d\"_blank\" onclick\u003d\"return top.js.OpenExtLink(window,event,this)\"\&amp;gt;\n\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt\"\&amp;gt;\n[1]\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/a\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; Até os civis cometem actos maus com uma facilidade espantosa, quando sujeitos à obediência. Como David Myers descreveu no seu excelente artigo &quot;A Psychology of Evil&quot; (\n\u003ci\&amp;gt;The Other Side\u003c/i\&amp;gt; [Abril 1982], pág. 29): &quot;O melhor exemplo são as experiências de obediência de Stanley Milgram. Confrontados com um comandante imponente e próximo, 75 por cento dos seus sujeitos adultos obedeceram cegamente às instruções. Sob ordens, davam choques eléctricos aparentemente traumatizantes a uma vítima inocente que gritava na sala ao lado. Tratavam-se de pessoas normais – uma mistura de colarinhos brancos, colarinhos azuis e profissionais. Desprezavam esta tarefa. Mas a obediência sobrepunha-se ao próprio sentido moral.&quot;\n\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"line-height:150%\"\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\u003c/div\&amp;gt;\n\u003cdiv\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ca title\u003d\"\" href\u003d\"http://mail.google.com/mail/?view\u003dpage&amp;name\u003dgp&amp;ver\u003dsh3fib53pgpk#_ftnref2\" name\u003d\"114db16494aff45a__ftn2\" target\u003d\"_blank\" onclick\u003d\"return top.js.OpenExtLink(window,event,this)\"\&amp;gt;\n\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt\"\&amp;gt;\n\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;[2]\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/a\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; &quot;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;The Green Berets&quot;, Força Especial do Exército dos Estados Unidos. (N. da E.)\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\u003c/div\&amp;gt;\n\u003cdiv\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ca title\u003d\"\" href\u003d\"http://mail.google.com/mail/?view\u003dpage&amp;name\u003dgp&amp;ver\u003dsh3fib53pgpk#_ftnref3\" name\u003d\"114db16494aff45a__ftn3\" target\u003d\"_blank\" onclick\u003d\"return top.js.OpenExtLink(window,event,this)\"\&amp;gt;",1] );  //--></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10.5pt;line-height:150%;"><span><span style="font-size:10.5pt;">[1]</span></span></span><span style="font-size:10.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman"> Até os civis cometem actos maus com uma facilidade espantosa, quando sujeitos à obediência. Como David Myers descreveu no seu excelente artigo &#8220;A Psychology of Evil&#8221; ( <em>The Other Side</em> [Abril 1982], pág. 29): &#8220;O melhor exemplo são as experiências de obediência de Stanley Milgram. Confrontados com um comandante imponente e próximo, 75 por cento dos seus sujeitos adultos obedeceram cegamente às instruções. Sob ordens, davam choques eléctricos aparentemente traumatizantes a uma vítima inocente que gritava na sala ao lado. Tratavam-se de pessoas normais – uma mistura de colarinhos brancos, colarinhos azuis e profissionais. Desprezavam esta tarefa. Mas a obediência sobrepunha-se ao próprio sentido moral.&#8221; <span><span style="line-height:150%;"></span></span></font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span><span style="font-size:10pt;line-height:150%;"><span><span><span style="font-size:10pt;"><font face="Times New Roman">[2]</font></span></span></span></span></span><font face="Times New Roman"> &#8220;<span style="font-size:10.5pt;line-height:150%;">The Green Berets&#8221;, Força Especial do Exército dos Estados Unidos. (N. da E.) </span></font></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><!-- D(["mb","\n\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt\"\&amp;gt;\n\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;[3]\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/a\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; Os psicólogos verificam que, quando grupos semelhantes de rapazes de doze anos, em acampamentos e sem liderança adulta, são encorajados a competir uns com os outros, a competição benigna transforma-se rapidamente numa violenta &quot;guerra à escala dos doze anos&quot; (Myers, &quot;A Psychology of Evil&quot;, pág. 29).\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\u003c/div\&amp;gt;\n\u003cdiv\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ca title\u003d\"\" href\u003d\"http://mail.google.com/mail/?view\u003dpage&amp;name\u003dgp&amp;ver\u003dsh3fib53pgpk#_ftnref4\" name\u003d\"114db16494aff45a__ftn4\" target\u003d\"_blank\" onclick\u003d\"return top.js.OpenExtLink(window,event,this)\"\&amp;gt;\n\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt\"\&amp;gt;\n\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;[4]\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/a\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt; \u003c/span\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\nTermo na gíria americana que designa os vietnamitas em geral. (N. da T.)\u003c/span\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\u003c/div\&amp;gt;\u003c/div\&amp;gt;\n",0] );  //--><span><span style="font-size:10.5pt;line-height:150%;"><span><span><span style="font-size:10.5pt;"><font face="Times New Roman">[3]</font></span></span></span></span></span><span style="font-size:10.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman"> Os psicólogos verificam que, quando grupos semelhantes de rapazes de doze anos, em acampamentos e sem liderança adulta, são encorajados a competir uns com os outros, a competição benigna transforma-se rapidamente numa violenta &#8220;guerra à escala dos doze anos&#8221; (Myers, &#8220;A Psychology of Evil&#8221;, pág. 29). </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span><span style="font-size:10.5pt;line-height:150%;"><span><span><span style="font-size:10.5pt;"><font face="Times New Roman">[4]</font></span></span></span></span></span><font face="Times New Roman"><span><span style="font-size:10.5pt;line-height:150%;"> </span></span><span style="font-size:10.5pt;line-height:150%;">Termo na gíria americana que designa os vietnamitas em geral. (N. da T.)</span></font></p>
<p><!-- D(["ce"]);  //--></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/planetaeclipse.wordpress.com/41/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/planetaeclipse.wordpress.com/41/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/planetaeclipse.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/planetaeclipse.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/planetaeclipse.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/planetaeclipse.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/planetaeclipse.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/planetaeclipse.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/planetaeclipse.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/planetaeclipse.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/planetaeclipse.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/planetaeclipse.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/planetaeclipse.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/planetaeclipse.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/planetaeclipse.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/planetaeclipse.wordpress.com/41/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=41&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sementes de violência</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 12:55:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[comportamentos]]></category>
		<category><![CDATA[jovens]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Infobib &#8211; Boletim da Biblioteca da Escola Secundária/3 de Baltar 2005   Eugénio de Castro, no seu poema A sombra do quadrante, lança a seguinte interrogação: &#8220;Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida / Tão doidas ambições, tanto ódio, tanta ameaça?&#8221; A Biblioteca decidiu abordar o tema da violência, não só porque é uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=39&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin:0;"><em><span style="font-size:10.5pt;"><font face="Times New Roman">Infobib &#8211; Boletim da Biblioteca da Escola Secundária/3 de Baltar</font></span> </em></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10.5pt;"><font face="Times New Roman">2005</font></span></p>
<p align="center"><span style="font-size:10.5pt;"><font face="Times New Roman"><a href="http://planetaeclipse.files.wordpress.com/2007/09/sementes-de-violencia.jpg" title="sementes-de-violencia.jpg"><img src="http://planetaeclipse.files.wordpress.com/2007/09/sementes-de-violencia.jpg?w=550" alt="sementes-de-violencia.jpg" /></a></font></span> </p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Eugénio de Castro, no seu poema <em>A sombra do quadrante, </em>lança a seguinte interrogação: &#8220;Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida / Tão doidas ambições, tanto ódio, tanta ameaça?&#8221;</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A Biblioteca decidiu abordar o tema da violência, não só porque é uma questão actual, <span>mas </span>também porque é um problema sem soluções definitivas e incontestáveis. E sobretudo porque a todos diz respeito, quer como seus autores, quer como suas vítimas.</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">É, não obstante, um dado incontroverso que a violência impregnou as artes e a cultura e muito particularmente o cinema, a música, a televisão e os <em>videogames.</em></font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Como refere Carlo Climati ( <span>in<em> </em></span><em>Os <span>jovens </span>e o <span>esoterismo, </span></em>Lisboa, Paulinas, 2001):</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">&#8230; <em>Depois do rock, da banda desenhada e do cinema, também os jogos de vídeo foram «contaminados» por esta tendência.</em></font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><font face="Times New Roman"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;">Certos jogos de vídeo parecem contribuir para um processo de habituação ao mal por parte dos jovens. As novas gerações cada vez se acostumam mais à violência, até ao ponto de esta as deixar indiferentes. Ou antes, em certos casos, as encenações de &#8220;terror&#8221; e as imagens monstruosas chegam mesmo a tornar-se instrumentos &#8220;fascinantes&#8221;, utilizados para vender mais jogos de vídeo e para chamar a </span></em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;">atenção dos jovens.</span></font></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Por outro lado, uma nota predominante dos conteúdos destes jogos de vídeo é a luta pela sobrevivência. O referido autor ( <em>ob. cit.) </em>acrescenta que, nestes jogos,</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">&#8230; o jogador tem de se confrontar com contínuos desafios de morte para conseguir manter-se vivo, aumentando, ao mesmo tempo, o seu poder. O problema é que esta luta se transforma, por vezes, numa verdadeira educação para a violência e para o espezinhamento dos outros. </font></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A mensagem transmitida aos jovens é clara: para sobreviver e conquistar o poder é lícito fazer seja o que for: destruir, espancar, ultrapassar, matar ou esmagar os próprios adversários. Não importa aquilo que se faz. O que conta é alcançar os próprios objectivos. Bem-vinda seja a &#8220;morte&#8221; dos outros, se ela representa a nossa vida. Tudo isto é certamente horrível, mesmo quando se trata de um jogo&#8230; </font></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Não se julgue, porém que os referidos jogos são meros <em>entertainments, </em>pois inculcam nos seus jovens utilizadores determinados padrões de conduta e regras de comportamento nocivas e anti-sociais. Como descortina Carlo Climati (<em>ob. cit.), </em>dos jogos</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">&#8230; ressaltam dois conceitos verdadeiramente negativos: a &#8220;corrida sem regras&#8221; e a ideia que &#8220;só os mais fortes e experientes conseguem chegar à meta&#8221;. Os jovens aprendem assim a acreditar que, para ter êxito, tudo é permitido, até as formas de comportamento incorrecto. No fim, os mais fortes triunfam sobre os mais débeis. Eis um tema recorrente na filosofia subjacente a muitos jogos de vídeo. Quem bate com mais força é quem vence&#8230; </font></span></em></p>
<p style="margin:6pt 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Se o alvo da nossa análise for o cinema chegaremos a análoga conclusão. Com efeito, sucedem-se novas versões da mesma série ou a sua continuação, mas a última é incomparavelmente mais grotesca do que a anterior e a violência é avassaladoramente maior. O público é atraído pela espiral de violência e de grosseria. O autor <span>supra </span>referido (<em>ob. cit</em>.) esclarece que:</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">&#8230; O público quase parece afeiçoar-se, de forma mórbida, a estes implacáveis assassinos cinematográficos, que voltam sempre a ressuscitar e a atacar outras pessoas. Os jovens não se contentam em vê-los num único filme. Desejam que eles voltem a matar, de forma original e diferente, e os produtores, interessados em ganhar dinheiro, satisfazem o seu desejo, fazendo centenas de películas de teor macabro e violento. </font></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">É certo que as histórias tradicionais também são caracterizadas por uma certa agressividade e até por alguma violência. Em todo o caso, apenas com o fito de demonstrar que a realidade também contempla essa faceta. Contudo, o bem acaba sempre por vencer. A mensagem que prevalece é a do bem, a da punição do mal e a do regresso à ordem. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Já as novas criações, como bem realça João César das Neves ( <span>in<em> Acordar do Sonho, </em>Li</span>sboa, Ed. Verbo, 2003)</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">… têm como herói o mau, que se alegra com os gemidos das vítimas e os gritos de horror dos inocentes. Nelas, o propósito do jogo é comer mais escravos, atropelar peões, espancar adversários ou arrasar cidades. O realismo do sangue a espirrar e dos estertores da morte só se compara com o maquiavelismo dos planos de zombies, bruxas e dráculas. O diabo, que os pais consideram que não existe, está presente em nome, pessoa e efeitos nas histórias preferidas dos seus filhos. </font></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Seria ingenuidade pensar que o único ou o principal motivo que justifica a proliferação dos filmes e vídeos em apreço é o lucro dos produtores. É indubitável que o factor financeiro não é de menosprezar. Como conclui o já aludido Carlo Climati ( <em>ob. cit.), </em>ainda a propósito desta inesgotável produção, </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 68.05pt 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 68.05pt 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">&#8230; mais uma vez, quem decide é o &#8220;deus dinheiro&#8221;&#8230;</font></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Outras serão as razões pelas quais a violência se enraizou na produção cinematográfica e afins. Não se pretende, neste artigo, esgotar a análise das mesmas. Será oportuno ponderar duas perspectivas de análise. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A primeira aponta para razões de ordem convencional, ou seja, o homem afirma-se pela força física. Sam Keen (in <em>O <span>homem na sua plenitude, </span></em>S. Paulo, Cultrix, 1998) alerta que</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">&#8230; A psique masculina, antes de mais nada, é a psique do guerreiro. Nada nos plasma, molda e modela tanto como a exigência da sociedade de que nos tornemos especialistas no uso do poder e da violência, ou, como dizemos eufemisticamente, na &#8220;defesa&#8221;. Historicamente, a principal diferença entre homens e mulheres é que sempre se esperou que os homens fossem capazes de recorrer à violência quando necessário. A capacidade e a disposição para a violência têm sido centrais na nossa autodefinição. A psique masculina não foi construída sobre o racional: &#8220;Penso, logo existo&#8221;, mas sobre o irracional: &#8220;Conquisto, logo existo&#8221;. </font></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Quanto ao que veio a tornar-se o estado de emergência banal da vida moderna, concedemos ao Estado o poder de interromper a vida dos rapazes, de os convocar para servir o exército e iniciar no ritual da violência. Clichés que passam por sabedoria dizem-nos: &#8220;O exército fará de si um homem&#8221;, e &#8220;Todos os homens precisam de ter a sua guerra&#8221;. </font></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt 0;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O autor denuncia mesmo que este preconceito atinge o extremo de poder prejudicar ou aniquilar determinadas vocações ou percursos.</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">&#8230; Muitos homens criativos que conheço eram sensíveis, compassivos demais para lutar. E quase todos cresceram sentindo-se, de certo modo, inferiores e com a certeza de que não tinham passado a prova da masculinidade. Desconfio que muitos escritores ainda estão a mostrar aos valentões do bairro que a pena é mais forte do que a espada. A prova modelou-nos, quer tenhamos lançado bombas ou sido apanhados por elas&#8230; </font></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">No que se refere à segunda perspectiva, é seguro que, na sociedade actual, o homem não dialoga sobre a sua natureza íntima, não partilha sentimentos, não encontra um interlocutor atento e disponível. Esta lacuna − nas relações pai/filho, professor/aluno, marido/mulher –provoca frustração, revolta e raiva. Eis as sementes da violência. O ser humano revolta-se porque não encontra condições para realizar a sua principal vocação. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Wolfgang Salewski e Peter Lanz (in <em>A <span>Nova Violência </span>– e <span>como enfrentá-la, </span></em>Lisboa, Ed. Livros do Brasil, 1978) relatam a seguinte história verídica de Mark Twain, escritor e satírico americano: </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">&#8230; certa vez, chegou demasiado tarde a um jantar para o qual tinha sido convidado. Quando a dona da casa, distraída pela organização do banquete e pelo grupo de ilustres convidados, lhe deu as boas-vindas, Twain pediu desculpa pelo seu atraso com as seguintes palavras: &#8220;Tem de desculpar-me por ter chegado só agora, minha querida senhora, mas tive necessidade de matar a minha velha tia antes de vir.&#8221; E a dona da casa respondeu-lhe: &#8220;Claro que lhe perdoo, caro mestre, isso por vezes acontece.&#8221; </font></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Atente-se, todavia, ao comentário que os autores acrescentam à história:</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Assim, superficialmente, a história pode provocar o riso. Mas, se pensarmos um pouco, podemos ser invadidos pelo medo. O que há cem anos Mark Twain quis tratar como uma graça tornou-se hoje numa triste verdade. Trocam-se argumentos sem, de facto, se entrar em contacto uns com os outros. Falamos, sem dúvida, mais do que outrora. Os meios técnicos de comunicação tornam possível as pessoas falarem umas com as outras, em quase todos os pontos do mundo. Com o auxílio de cabos submarinos e satélites transpõem-se os oceanos. No entanto, compreendemo-nos cada vez menos. </font></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A violência é, na verdade, um drama actual, mas não podemos soçobrar, pois se são inolvidáveis os seus efeitos, são também irreversíveis as consequências da boa formação do carácter por via da educação. Como ensina João César das Neves ( <em>ob. cit.),</em></font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Os filmes e jogos devem ser usados também para contrastar com a vida real. O normal é que os jovens que contemplam de forma tão viva horrores tão profundos ganhem uma insensibilidade emocional. Mas também é possível que, por reacção, sejam levados a compreender melhor a beleza, a bondade, a alegria e a felicidade. Cabe aos educadores conduzir e potenciar essa reacção. Estes horrores podem permitir adquirir critérios de julgamento e edificar o carácter, o essencial da educação. </font></span></em></p>
<p style="margin:0 0 7.2pt;">&nbsp;</p>
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		<title>A bomba está entre nós VIII</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 11:49:12 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A bomba atómica  VII  Se há uma relação entre a rejeição da piedade ancestral e a eclosão da ciência, em que sentido se desenvolve ela? Da impiedade à ciência ou da ciência à impiedade? Com toda a verosimilhança, alternada ou simultaneamente, nos dois sentidos. O importante para nós é o facto histórico do surgimento da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=36&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/a-bomba-esta-entre-nos-vii/">A bomba atómica  VII</a></strong></em></p>
<p> <span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Se há uma relação entre a rejeição da piedade ancestral e a eclosão da ciência, em que sentido se desenvolve ela? Da impiedade à ciência ou da ciência à impiedade? Com toda a verosimilhança, alternada ou simultaneamente, nos dois sentidos. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O importante para nós é o <em>facto histórico</em> do surgimento da cultura tecnológica ocidental, cuja influência hegemónica se propaga e impõe a todo o planeta.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Os imperativos industriais e comerciais, os meios de comunicação e transporte, interditam o isolamento do passado. No século XIX os Japoneses foram forçados a abrir as portas ao Ocidente. As últimas tribos da Amazónia extinguem-se em <em>Tristes Trópicos</em>, de Lévi-Strauss.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Será inevitável a inteligência e a curiosidade conduzirem à eclosão de uma sociedade tecnológica, apoiada no domínio das energias? Esta interrogação, muitas vezes formulada, parece-me inadequada. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Imaginemos um planeta «lambda» onde, como na nossa Terra, uma multidão de culturas diferentes desenvolve em separado as suas relações com a Natureza. Mesmo que a quase totalidade destes grupos mostre apenas um interesse moderado pela ciência e pela tecnologia, basta que esta paixão apareça <em>algures</em> para se impor a todos. A tecnologia é invasora, arrasta a sua própria expansão territorial. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><a name="114dab637639fd09__Toc118128641" title="114dab637639fd09__Toc118128641"></a><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A natureza do escorpião</font> </span><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Na margem arenosa de um grande rio africano um leão dorme. É de tarde, faz calor. Não corre a menor aragem. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Um escorpião aproxima-se: «Levanta-te. Tenho necessidade da tua ajuda», diz ele, dando uma cotovelada ao leão, «preciso de passar para o outro lado do rio. Aqui não há mais ninguém. Põe-me sobre as tuas costas e leva-me a nado». </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Surpresa do leão: «Eu, nadar com um escorpião no dorso? Tu vais-me picar e eu morro&#8230;». O escorpião defende habilmente a sua causa: «Não sejas estúpido. Se eu te pico, afogamo-nos os dois. Nada te acontecerá». Obstinado, o leão procura argumentos. Mas a agilidade intelectual do escorpião, aliada à lógica insuperável da sua deprecada, acaba por vencer. «Sobe», diz o leão. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A passo lento, o leão, desconfiado, avança na água tépida. Começa a nadar. A meio do rio, uma dor viva paralisa-o. O duo é levado pela corrente. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">«Olha bem o que fizeste», diz o leão, «vamos perecer os dois». «Eu sei», responde o escorpião, «lamento muito, mas ninguém escapa à sua natureza». </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Os acontecimentos dos últimos decénios dão a esta fábula toda a pertinência. Estará na <em>natureza do homem </em>fabricar, o mais depressa e o mais eficazmente possível, as armas da sua autodestruição? Se tal é o caso, poderemos nós <em>escapar </em>à nossa natureza?</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><a name="114dab637639fd09__Toc118128642" title="114dab637639fd09__Toc118128642"></a><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A aposta cósmica</font></span></strong><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span></strong></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman"> </font></span> </strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Neste primeiro capítulo esbocei o balanço de uma situação particularmente alarmante: a do futuro do género humano. A acumulação delirante de engenhos termonucleares, a proliferação do armamento atómico, fazem-nos prever o pior. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">As armas – a História no-lo ensina – acabam sempre por funcionar. Os pretextos de legítima defesa tornam-se alibis de agressão. Se o passado é a garantia do futuro, quem apostaria no futuro da paz mundial? E, se o tiroteio começa, quem apostará na sobrevivência da espécie humana? </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Mas qual o efeito produzido no espaço interestelar por um fogo-de-artifício de bombas atómicas no nosso planeta? Praticamente nenhum&#8230; Os habitantes dos sistemas planetários, mesmo os mais vizinhos, serão incapazes de o detectar! Uma peripécia perfeitamente desprezível à escala galáctica e do cosmos. Para que diabo tantas histórias? </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">E, contudo&#8230; Se a vida existe em outros sistemas planetários, à volta de outras estrelas, se neles apareceram civilizações tecnológicas, não correrão elas também o risco, impulsionadas pela «cruel discórdia», de serem confrontadas com o mesmo problema? Quantas populações planetárias chegaram antes de nós à encruzilhada crucial em que nos encontramos neste momento sobre a Terra? Quantas mergulharam no nada por não terem sabido executar a manobra correcta? E quantas souberam passar no exame da coexistência pacífica com o seu próprio poderio? </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><a name="114dab637639fd09__Toc118128643" title="114dab637639fd09__Toc118128643"></a><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Um silêncio assustador</font></span></strong><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span></strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Pascal assustava-se com o silêncio dos espaços infinitos. Mas o céu, sabemo-lo hoje, não é para nós um estranho. Lá se elaboram, no centro das estrelas, como nas nebulosas, os núcleos, os átomos e as moléculas, que formarão mais tarde a infra-estrutura da consciência. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Existirá vida fora da Terra, noutros planetas, ao redor de outras estrelas, entre os milhares de milhões de galáxias do nosso universo? Temos excelentes razões para pensar que os escalões da complexidade são vencidos quando as condições físicas o permitem. E que estas condições férteis existem em milhões e milhões de exemplares no cosmos. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Porquê então nunca recebemos mensagens, radiofónicas ou de outro género, provenientes do céu? Há várias respostas. Examinemos, sucessivamente, quatro delas: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:-35.25pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 0 53.25pt;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span>1<span>                    </span></span></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;">Contrariamente à opinião apresentada acima, estamos sós. A vida não se desenvolveu em qualquer outro lugar. É possível, mas, considerando os conhecimentos actuais, esta explicação é difícil de aceitar; </span></font></p>
<p style="text-indent:-35.25pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 0 53.25pt;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span>2<span>                    </span></span></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;">As civilizações extraterrestres comunicam por métodos de transmissão que escapam ainda à nossa tecnologia. Não se pode refutar esta hipótese; </span></font></p>
<p style="text-indent:-35.25pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 0 53.25pt;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span>3<span>                    </span></span></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;">Os nossos mais próximos vizinhos estão demasiado longe para os nossos receptores actuais, por exemplo, se habitam na galáxia de Andrómeda. As próximas gerações de radiotelescópios poderão então reservar-nos algumas surpresas; </span></font></p>
<p style="text-indent:-35.25pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 0 53.25pt;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span>4<span>                    </span></span></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;">Incapazes de gerir a sua agressividade, as civilizações tecnológicas exterminam-se logo que disso se tornam capazes. </span></font></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Se a boa resposta é a última, o «silêncio dos espaços infinitos» tem um significado assustador muito diferente do que tinha para Pascal. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Hubert Reeves</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido? </font></span></em></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Lisboa, Ed. Gradiva, 1991</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Excertos adaptados</font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/planetaeclipse.wordpress.com/36/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/planetaeclipse.wordpress.com/36/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/planetaeclipse.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/planetaeclipse.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/planetaeclipse.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/planetaeclipse.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/planetaeclipse.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/planetaeclipse.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/planetaeclipse.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/planetaeclipse.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/planetaeclipse.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/planetaeclipse.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/planetaeclipse.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/planetaeclipse.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/planetaeclipse.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/planetaeclipse.wordpress.com/36/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=36&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A bomba está entre nós VII</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 11:38:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[A bomba está entre nós VII A proliferação em 1986 Depois dos Estados Unidos, a União Soviética, a França e a Inglaterra, a China e a Índia fabricaram e fizeram explodir engenhos termonucleares. Cinco outros países encontram-se em excelente posição nesta corrida: a Argentina, o Brasil, Israel, o Paquistão e a União Sul-Africana. Embora não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=35&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/a-bomba-esta-entre-nos-vi/">A bomba está entre nós VII</a></em></strong><br />
</span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><a name="114daae67f8a29db__Toc118128638"></a><strong><span style="font-size:14.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A proliferação em 1986</font></span></strong><strong><span style="font-size:14.5pt;line-height:150%;"></span></strong></p>
<p></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Depois dos Estados Unidos, a União Soviética, a França e a Inglaterra, a China e a Índia fabricaram e fizeram explodir engenhos termonucleares. Cinco outros países encontram-se em excelente posição nesta corrida: a Argentina, o Brasil, Israel, o Paquistão e a União Sul-Africana. Embora não possuam ainda um arsenal atómico completo, estas nações deram já grandes passos nesse sentido. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Há alguns anos foi assinado por vários governos um tratado de não proliferação, o qual, por razões diversas, tem sido largamente contestado. Duas nações do clube nuclear, a França e a China, recusaram-se a assiná-lo, no que foram compreensivelmente imitadas pela maior parte dos países desejosos de obter a bomba. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p></span></p>
<p></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><a name="114daae67f8a29db__Toc118128639"></a><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;">  <!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;\nOs antepassados da bomba\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/b\&gt;\u003c/a\&gt;\u003cb\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:13.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/b\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cb\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;\n \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/b\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Corremos o risco de esquecer, ao mitificar a bomba, ao ver nela a encarnação de um ser diabólico, que ela tem antepassados notórios. É a última de uma série de armas mortíferas criadas pela imaginação fértil dos homens durante toda a sua história.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Desde a mais alta antiguidade, todas as invenções, todas as energias novas, são \n\u003ci\&gt;sistematicamente\u003c/i\&gt; usadas para fins guerreiros. Dardos, flechas, fogos, cavalos, juntam-se ao arsenal dos exércitos em conflito. Lucrécio, o nosso «correspondente romano», dá-nos disso um testemunho eloquente: «Aprendeu-se a domar os cavalos, a dirigi-los com um freio e a montá-los. Em seguida, tentou-se combater num carro puxado por dois cavalos, mais tarde, por quatro. Depois vieram os carros armados de foices cortantes, em seguida os Cartagineses domesticaram elefantes e treinaram-nos para a guerra.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Assim, a \u003ci\&gt;\ncruel discórdia\u003c/i\&gt; inventou armas cada vez mais mortíferas e aumentou em cada dia os horrores da guerra».\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Escrito há mais de dois mil anos, este texto é para nós rico de ensinamentos. A última frase podia ter sido escrita ontem mesmo. Apesar do acréscimo prodigioso de conhecimentos, apesar dos progressos tecnológicos, a alma humana mantém-se resolutamente fiel às suas tradições. E esse é que é o problema.\n",1] );  //--><font face="Times New Roman">Os antepassados da bomba</font></span></strong><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span></strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><strong><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Corremos o risco de esquecer, ao mitificar a bomba, ao ver nela a encarnação de um ser diabólico, que ela tem antepassados notórios. É a última de uma série de armas mortíferas criadas pela imaginação fértil dos homens durante toda a sua história. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Desde a mais alta antiguidade, todas as invenções, todas as energias novas, são <em>sistematicamente</em> usadas para fins guerreiros. Dardos, flechas, fogos, cavalos, juntam-se ao arsenal dos exércitos em conflito. Lucrécio, o nosso «correspondente romano», dá-nos disso um testemunho eloquente: «Aprendeu-se a domar os cavalos, a dirigi-los com um freio e a montá-los. Em seguida, tentou-se combater num carro puxado por dois cavalos, mais tarde, por quatro. Depois vieram os carros armados de foices cortantes, em seguida os Cartagineses domesticaram elefantes e treinaram-nos para a guerra. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Assim, a <em>cruel discórdia</em> inventou armas cada vez mais mortíferas e aumentou em cada dia os horrores da guerra».</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Escrito há mais de dois mil anos, este texto é para nós rico de ensinamentos. A última frase podia ter sido escrita ontem mesmo. Apesar do acréscimo prodigioso de conhecimentos, apesar dos progressos tecnológicos, a alma humana mantém-se resolutamente fiel às suas tradições. E esse é que é o problema.  <!-- D(["mb","\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Os elefantes de Aníbal ameaçavam somente as legiões romanas. A pólvora de canhão, a dinamite, aumentam consideravelmente os destroços. Com a energia nuclear, a «cruel discórdia» pode pensar a sério na eliminação da espécie humana.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003ca name\u003d\"114daae67f8a29db__Toc118128640\"\&gt;\u003cb\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:13.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;\nUm erro da natureza?\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/b\&gt;\u003c/a\&gt;\u003cb\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:13.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/b\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cb\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;\n \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/b\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Mal adaptado, porque com excessivas garantias, nefasto ao equilíbrio do planeta, será o ser humano, em definitivo, um erro da Natureza?\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Avaliam-se em mais de um milhão as espécies vegetais e animais que vivem actualmente na Terra. O total de espécies aparecidas no decurso da evolução biológica atingirá os dez milhões. No entanto, nove em cada dez desapareceram.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;\u003ci\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\nNenhuma espécie é sagrada\u003c/span\&gt;\u003c/i\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;",1] );  //--> </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Os elefantes de Aníbal ameaçavam somente as legiões romanas. A pólvora de canhão, a dinamite, aumentam consideravelmente os destroços. Com a energia nuclear, a «cruel discórdia» pode pensar a sério na eliminação da espécie humana. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><a name="114daae67f8a29db__Toc118128640"></a><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Um erro da natureza?</font></span></strong><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span></strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><strong><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Mal adaptado, porque com excessivas garantias, nefasto ao equilíbrio do planeta, será o ser humano, em definitivo, um erro da Natureza? </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Avaliam-se em mais de um milhão as espécies vegetais e animais que vivem actualmente na Terra. O total de espécies aparecidas no decurso da evolução biológica atingirá os dez milhões. No entanto, nove em cada dez desapareceram. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><font face="Times New Roman"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;">Nenhuma espécie é sagrada</span></em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;">  <!-- D(["mb",". Cada uma surge do jogo da Natureza, do acaso das mutações biológicas. Para durar precisa de arranjar um nicho, estabelecer um comportamento de trocas, receber e dar, inserir-se num ecossistema. Caso contrário, a eliminação é inexorável.\n\u003c/span\&gt;\u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Há sessenta e cinco milhões de anos, os dinossauros, os fetos gigantes, os amonites, desaparecem bruscamente da superfície terrestre. Sobre a causa desta catástrofe não dispomos de certezas. Pode ter sido a chegada súbita e importante de materiais extraterrestres (meteorito gigante ou nuvem interestelar). Segundo toda a probabilidade, estes seres não foram responsáveis pelo seu desaparecimento. A Natureza não lhes pediu a opinião. Mas o ser humano, se chegar a sua vez de desaparecer, não poderá senão culpar-se a si próprio. Nada nos ameaça além do que \n\u003ci\&gt;nós provocamos\u003c/i\&gt;.\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;A destruição nuclear da Humanidade poderia arrastar a eliminação de uma fracção importante – mesmo a totalidade – das espécies animais e vegetais. Se o arsenal não é ainda suficiente para causar esta hecatombe, não demorará muito a sê-lo. De novo temos de saudar a eficácia da inteligência humana. Importa aqui reconhecer o papel pouco invejável desempenhado pela nossa cultura ocidental. Se o grau de civilização de um grupo humano se mede pela harmonia das suas relações com o meio ambiente, a nossa quota é a mais baixa. Tomo por testemunho estas palavras desgostosas de um velho índio do meu país: «Os brancos riem-se da terra, do gamo ou do urso. Quando nós, índios, os caçamos, comemos toda a carne; quando procuramos raízes, fazemos pequenos buracos; quando queimamos a erva, por causa dos gafanhotos, não arruinamos tudo. Sacudimos as glandes e as pinhas das árvores. Só utilizamos a madeira morta.\n",1] );  //--> . Cada uma surge do jogo da Natureza, do acaso das mutações biológicas. Para durar precisa de arranjar um nicho, estabelecer um comportamento de trocas, receber e dar, inserir-se num ecossistema. Caso contrário, a eliminação é inexorável. </span></font></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Há sessenta e cinco milhões de anos, os dinossauros, os fetos gigantes, os amonites, desaparecem bruscamente da superfície terrestre. Sobre a causa desta catástrofe não dispomos de certezas. Pode ter sido a chegada súbita e importante de materiais extraterrestres (meteorito gigante ou nuvem interestelar). Segundo toda a probabilidade, estes seres não foram responsáveis pelo seu desaparecimento. A Natureza não lhes pediu a opinião. Mas o ser humano, se chegar a sua vez de desaparecer, não poderá senão culpar-se a si próprio. Nada nos ameaça além do que <em>nós provocamos</em>.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A destruição nuclear da Humanidade poderia arrastar a eliminação de uma fracção importante – mesmo a totalidade – das espécies animais e vegetais. Se o arsenal não é ainda suficiente para causar esta hecatombe, não demorará muito a sê-lo. De novo temos de saudar a eficácia da inteligência humana. Importa aqui reconhecer o papel pouco invejável desempenhado pela nossa cultura ocidental. Se o grau de civilização de um grupo humano se mede pela harmonia das suas relações com o meio ambiente, a nossa quota é a mais baixa. Tomo por testemunho estas palavras desgostosas de um velho índio do meu país: «Os brancos riem-se da terra, do gamo ou do urso. Quando nós, índios, os caçamos, comemos toda a carne; quando procuramos raízes, fazemos pequenos buracos; quando queimamos a erva, por causa dos gafanhotos, não arruinamos tudo. Sacudimos as glandes e as pinhas das árvores. Só utilizamos a madeira morta.  <!-- D(["mb","\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Mas o homem branco revira o solo, abate as árvores, destrói tudo. A árvore diz: «Pára, estou ferida, não me faças mal». Mas ele abate-a e corta-a \nem pranchas. O espírito da terra odeia-o. Ele arranca as árvores e abala-as até às raízes... Ele estoira os rochedos e deixa-os em detritos sobre o solo. A rocha diz: «Pára; tu fazes-me mal». Mas o homem branco não lhe dá atenção. Como poderia o espírito da terra amar o homem branco? Por toda a parte onde toca deixa uma chaga».\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;No nosso planeta habita um grande número de culturas diferentes, cada uma das quais desenvolveu as suas próprias estratégias de subsistência, o seu modo de vida adaptado ao enquadramento natural. A pesca dos Esquimós difere da de Benin. A agricultura maciça das pradarias canadianas não se assemelha à jardinagem familiar dos camponeses da Índia. Tal como as técnicas de vida, as relações do homem com a Natureza variam largamente de um lugar para outro. Como os índios da América, como muitos hindus, numerosas sociedades tradicionais têm pela Natureza um respeito profundo, com vislumbres de animismo.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;A ciência e a tecnologia do poder nasceram no nosso mundo ocidental, precisamente onde a relação mística com a Natureza foi desde há mais tempo posta \nem causa. E, sem dúvida, isso não aconteceu por acaso. Reencontramos aqui a imagem de Prometeu arrancando o fogo do céu: o «pecado» que, segundo Oppenheimer, os físicos conheceram em Los Alamos.\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;",1] );  //--> </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Mas o homem branco revira o solo, abate as árvores, destrói tudo. A árvore diz: «Pára, estou ferida, não me faças mal». Mas ele abate-a e corta-a em pranchas. O espírito da terra odeia-o. Ele arranca as árvores e abala-as até às raízes&#8230; Ele estoira os rochedos e deixa-os em detritos sobre o solo. A rocha diz: «Pára; tu fazes-me mal». Mas o homem branco não lhe dá atenção. Como poderia o espírito da terra amar o homem branco? Por toda a parte onde toca deixa uma chaga». </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">No nosso planeta habita um grande número de culturas diferentes, cada uma das quais desenvolveu as suas próprias estratégias de subsistência, o seu modo de vida adaptado ao enquadramento natural. A pesca dos Esquimós difere da de Benin. A agricultura maciça das pradarias canadianas não se assemelha à jardinagem familiar dos camponeses da Índia. Tal como as técnicas de vida, as relações do homem com a Natureza variam largamente de um lugar para outro. Como os índios da América, como muitos hindus, numerosas sociedades tradicionais têm pela Natureza um respeito profundo, com vislumbres de animismo. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A ciência e a tecnologia do poder nasceram no nosso mundo ocidental, precisamente onde a relação mística com a Natureza foi desde há mais tempo posta em causa. E, sem dúvida, isso não aconteceu por acaso. Reencontramos aqui a imagem de Prometeu arrancando o fogo do céu: o «pecado» que, segundo Oppenheimer, os físicos conheceram em Los Alamos.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;">  <!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Se há uma relação entre …\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\n\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Continua\u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Hubert Reeves\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&gt;\u003ci\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido?\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/i\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Lisboa, Ed. Gradiva, 1991\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Excertos adaptados\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n",0] );  //--><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Se há uma relação entre …</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p></span></p>
<p></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><font face="Times New Roman"><strong><em><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/a-bomba-esta-entre-nos-viii/">Continuação: A bomba está entre nós VIII</a></em></strong></font></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Hubert Reeves</font></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido? </font></span></em></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Lisboa, Ed. Gradiva, 1991</font></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Excertos adaptados</font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/planetaeclipse.wordpress.com/35/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/planetaeclipse.wordpress.com/35/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/planetaeclipse.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/planetaeclipse.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/planetaeclipse.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/planetaeclipse.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/planetaeclipse.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/planetaeclipse.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/planetaeclipse.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/planetaeclipse.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/planetaeclipse.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/planetaeclipse.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/planetaeclipse.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/planetaeclipse.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/planetaeclipse.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/planetaeclipse.wordpress.com/35/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=35&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A bomba está entre nós VI</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 10:13:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A bomba está entre nós V Os filtros &#160; Inclinado sobre a banheira do hotel em Londres, em 1935, Leo Szilard é, de certa maneira, o anunciador da deusa bomba. O general Graves e Robert Oppenheimer, enfeitiçados por filtros bem diferentes, mas igualmente eficazes, são os seus grandes sacerdotes. Quando Groves escuta «o apelo da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=34&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/a-bomba-esta-entre-nos-v/">A bomba está entre nós V</a></em></strong><br />
</font></span></p>
<p></font></span></p>
<p style="margin:0;"><a name="114da9c4a58be588__Toc118128636" title="114da9c4a58be588__Toc118128636"></a><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">Os filtros</font></span><span style="font-size:14.5pt;"></span></p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Inclinado sobre a banheira do hotel em Londres, em 1935, Leo Szilard é, de certa maneira, o anunciador da deusa bomba. O general Graves e Robert Oppenheimer, enfeitiçados por filtros bem diferentes, mas igualmente eficazes, são os seus grandes sacerdotes. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Quando Groves escuta «o apelo da bomba», todo ele se desunha a construir depósitos de artilharia. Como verdadeiro soldado, só sonha com a glória militar. «O ministro da guerra designou-vos para uma missão da mais alta importância. Se a desempenhardes correctamente, a guerra está ganha». </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Nomeado general-de-brigada, Groves passa imediatamente à acção. Organiza o transporte das suas «tropas» – os melhores cientistas da época, entre os quais alguns prémios Nobel – para um canto perdido do Novo México. Quer que eles vistam o uniforme do exército americano, façam a saudação militar e fiquem sujeitos ao segredo mais completo. Para sua grande decepção, as três exigências são-lhe recusadas. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Groves espumará de raiva ao saber que alguns cientistas manifestaram oposição ao lançamento da bomba sobre cidades japonesas. Numa memória intitulada «Tratamento reservado aos investigadores científicos indesejáveis», escreveu que «o projecto Manhattan foi prejudicado logo à partida pela presença de certos homens de ciência de uma discrição aproximativa e de uma lealdade duvidosa». <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ao aproximar-se a vitória na Europa, fará circular uma nota de acordo com a sua devoção à causa: «Aconselha-se a que se encarem desde já programas educativos para o pessoal, os quais sublinharão a importância de manter os trabalhos e a necessidade de acelerar o seu ritmo a seguir ao dia da vitória, tomando o Japão como objectivo final. O pessoal receberá instruções no sentido de evitar perdas de tempo a celebrar a vitória sobre a Alemanha com festejos inconsiderados».\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Mas a bomba não tem pátria, está acima das nações, só deve fidelidade a si mesma. O erro de Groves foi pensar e propagar a ideia de que os Russos seriam incapazes de fabricar bombas atómicas. Embriagado pelo triunfo, convencido da superioridade absoluta da América, Groves redigirá um relatório técnico sobre o projecto Manhattan, uma espécie de «fanfarronada US», distribuído em numerosos exemplares e que os engenheiros soviéticos muito apreciaram e exploraram em seu proveito.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Não se lhe perdoou a proeza. O seu zelo intempestivo tornou-o indesejável e foi substituído por homens mais modestos, discretos e competentes. A sua carreira terminou, a bomba vai continuar sem ele.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Oppenheimer é uma personagem de tragédia, o seu fim será muito mais dramático. Consagrando a maior parte da sua carreira ao desenvolvimento do armamento nuclear, será «queimado» logo que manifesta algumas reservas. A propósito, rememoro as palavras de uma canção de Edith Piaf: «A vida dá-vos todas as hipóteses, para as anular em seguida».\n",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Ao aproximar-se a vitória na Europa, fará circular uma nota de acordo com a sua devoção à causa: «Aconselha-se a que se encarem desde já programas educativos para o pessoal, os quais sublinharão a importância de manter os trabalhos e a necessidade de acelerar o seu ritmo a seguir ao dia da vitória, tomando o Japão como objectivo final. O pessoal receberá instruções no sentido de evitar perdas de tempo a celebrar a vitória sobre a Alemanha com festejos inconsiderados». </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Mas a bomba não tem pátria, está acima das nações, só deve fidelidade a si mesma. O erro de Groves foi pensar e propagar a ideia de que os Russos seriam incapazes de fabricar bombas atómicas. Embriagado pelo triunfo, convencido da superioridade absoluta da América, Groves redigirá um relatório técnico sobre o projecto Manhattan, uma espécie de «fanfarronada US», distribuído em numerosos exemplares e que os engenheiros soviéticos muito apreciaram e exploraram em seu proveito. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Não se lhe perdoou a proeza. O seu zelo intempestivo tornou-o indesejável e foi substituído por homens mais modestos, discretos e competentes. A sua carreira terminou, a bomba vai continuar sem ele. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Oppenheimer é uma personagem de tragédia, o seu fim será muito mais dramático. Consagrando a maior parte da sua carreira ao desenvolvimento do armamento nuclear, será «queimado» logo que manifesta algumas reservas. A propósito, rememoro as palavras de uma canção de Edith Piaf: «A vida dá-vos todas as hipóteses, para as anular em seguida». <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Desde a infância que Robert Oppenheimer é um «pequeno génio». Aos 12 anos apresenta uma comunicação à Academia de Ciências de Nova Iorque sobre os seus trabalhos em geologia.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;«Nunca encontrei ninguém tão rápido a captar um raciocínio», dirá mais tarde Hans Bethe, que conhecia muito bem a matéria. «Em alguns segundos ele refaz interiormente o trajecto que nós levámos horas a percorrer».\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Este espírito subtil, familiarizado com as altas esferas da abstracção, logrou levar a bom termo o projecto eminentemente concreto de dirigir um laboratório com várias centenas de pessoas e de fabricar, num tempo recorde, um engenho atómico. Isto ilustra bem os dons extraordinários com que a Natureza o dotara. Acrescentemos, para maior exactidão, a sua grande cultura literária e artística, bem como os talentos culinários, fortemente apreciados pelos colegas.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Oppenheimer é a pessoa designada para enfrentar o desafio faustiano da conjuntura política: dar à luz a bomba atómica. Ganhará a parada e será elevado ao vértice da glória. Depois da guerra residirá em Washington, onde as potências mundiais dão às suas palavras a maior consideração. Enquanto milita a favor da bomba, a sua vida roça pelo sonho e as honras chovem sobre ele.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Desde a infância que Robert Oppenheimer é um «pequeno génio». Aos 12 anos apresenta uma comunicação à Academia de Ciências de Nova Iorque sobre os seus trabalhos em geologia. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">«Nunca encontrei ninguém tão rápido a captar um raciocínio», dirá mais tarde Hans Bethe, que conhecia muito bem a matéria. «Em alguns segundos ele refaz interiormente o trajecto que nós levámos horas a percorrer». </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Este espírito subtil, familiarizado com as altas esferas da abstracção, logrou levar a bom termo o projecto eminentemente concreto de dirigir um laboratório com várias centenas de pessoas e de fabricar, num tempo recorde, um engenho atómico. Isto ilustra bem os dons extraordinários com que a Natureza o dotara. Acrescentemos, para maior exactidão, a sua grande cultura literária e artística, bem como os talentos culinários, fortemente apreciados pelos colegas. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Oppenheimer é a pessoa designada para enfrentar o desafio faustiano da conjuntura política: dar à luz a bomba atómica. Ganhará a parada e será elevado ao vértice da glória. Depois da guerra residirá em Washington, onde as potências mundiais dão às suas palavras a maior consideração. Enquanto milita a favor da bomba, a sua vida roça pelo sonho e as honras chovem sobre ele. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O seu destino inflecte-se quando começa a manifestar reticências, objecções de consciência, dúvidas morais. Militares e cientistas não lhe perdoarão o ter penetrado nas suas motivações profundas. Se, para os soldados, a bomba utiliza o filtro da glória militar, é o filtro do poder que é servido aos cientistas, juntamente com o das boas intenções.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Quando Oppenheimer insiste em obter isótopos para aplicação médica, é considerado suspeito de pretender leiloar segredos atómicos. Mas sobretudo será censurada a sua oposição à prioridade concedida à estratégia dos bombardeamentos nucleares maciços. Contra ele será montado um processo odioso; o seu passado será vasculhado. A queda será brutal, com a exclusão da comissão de defesa e a proibição de acesso a todo o material científico correspondente. Nunca mais recuperará. As últimas imagens do filme \n\u003ci\&amp;gt;The Day after Trinity\u003c/i\&amp;gt; mostram-no abatido, precocemente envelhecido, uma sombra de si mesmo.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Apesar da sua oposição ao prosseguimento da escalada nuclear, Hans Bethe não sofrerá uma sorte tão cruel. Contudo, passa a ser objecto das críticas acerbas por parte dos jovens lobos da corrida aos armamentos. «O senhor estava cheio de entusiasmo no momento em que se fabricava a bomba atómica, apesar da oposição dos seus antecessores, que a julgavam irrealizável. Portanto, agora acabe com esses sermões e \n\u003ci\&amp;gt;deixe-nos aproveitar as nossas possibilidades\u003c/i\&amp;gt;». Este discurso dá-nos a medida exacta do nível de reflexão ética e de responsabilidade moral dos novos trabalhadores do armamento nuclear. Quem falará mais eloquentemente da potência dos filtros da bomba?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--><font face="Times New Roman">O seu destino inflecte-se quando começa a manifestar reticências, objecções de consciência, dúvidas morais. Militares e cientistas não lhe perdoarão o ter penetrado nas suas motivações profundas. Se, para os soldados, a bomba utiliza o filtro da glória militar, é o filtro do poder que é servido aos cientistas, juntamente com o das boas intenções. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Quando Oppenheimer insiste em obter isótopos para aplicação médica, é considerado suspeito de pretender leiloar segredos atómicos. Mas sobretudo será censurada a sua oposição à prioridade concedida à estratégia dos bombardeamentos nucleares maciços. Contra ele será montado um processo odioso; o seu passado será vasculhado. A queda será brutal, com a exclusão da comissão de defesa e a proibição de acesso a todo o material científico correspondente. Nunca mais recuperará. As últimas imagens do filme <em>The Day after Trinity</em> mostram-no abatido, precocemente envelhecido, uma sombra de si mesmo.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Apesar da sua oposição ao prosseguimento da escalada nuclear, Hans Bethe não sofrerá uma sorte tão cruel. Contudo, passa a ser objecto das críticas acerbas por parte dos jovens lobos da corrida aos armamentos. «O senhor estava cheio de entusiasmo no momento em que se fabricava a bomba atómica, apesar da oposição dos seus antecessores, que a julgavam irrealizável. Portanto, agora acabe com esses sermões e <em>deixe-nos aproveitar as nossas possibilidades</em>». Este discurso dá-nos a medida exacta do nível de reflexão ética e de responsabilidade moral dos novos trabalhadores do armamento nuclear. Quem falará mais eloquentemente da potência dos filtros da bomba? </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ca name\u003d\"114da9c4a58be588__Toc118128637\"\&amp;gt;\u003cb\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:13.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nA bomba prolifera\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/b\&amp;gt;\u003c/a\&amp;gt;\u003cb\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:13.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/b\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 1pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 1pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A bomba americana nasceu num transporte eufórico de zelo e entusiasmo. A bomba soviética apareceu no terror, sob a vigilância das metralhadoras.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 1pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Não foi sem razão que Truman duvidou da possibilidade deste engenho nuclear russo. Os Alemães tinham devastado o país, que se transformara num imenso campo de ruínas. Para levarem até ao fim o seu projecto, os Estados Unidos tiveram de usar a fundo a sua formidável infra-estrutura industrial e técnica. Comparando a situação económica dos dois países nessa época, é caso para efectivamente perguntar como conseguiu Estaline que o seu projecto triunfasse.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 1pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Sabemo-lo hoje. Apesar do estado exangue do território, a bomba, fiel a si própria, ganha aos pontos à reestruturação social. Utiliza-se a mão-de-obra gratuita dos \n\u003ci\&amp;gt;goulags. \u003c/i\&amp;gt;Em condições por vezes medonhas, centenas de milhares de operários trabalham dia e noite sob a ameaça das espingardas.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;",1] );  //--></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><a name="114da9c4a58be588__Toc118128637" title="114da9c4a58be588__Toc118128637"></a><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A bomba prolifera</font></span></strong><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span></strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 1pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 1pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A bomba americana nasceu num transporte eufórico de zelo e entusiasmo. A bomba soviética apareceu no terror, sob a vigilância das metralhadoras. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 1pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Não foi sem razão que Truman duvidou da possibilidade deste engenho nuclear russo. Os Alemães tinham devastado o país, que se transformara num imenso campo de ruínas. Para levarem até ao fim o seu projecto, os Estados Unidos tiveram de usar a fundo a sua formidável infra-estrutura industrial e técnica. Comparando a situação económica dos dois países nessa época, é caso para efectivamente perguntar como conseguiu Estaline que o seu projecto triunfasse. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 1pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Sabemo-lo hoje. Apesar do estado exangue do território, a bomba, fiel a si própria, ganha aos pontos à reestruturação social. Utiliza-se a mão-de-obra gratuita dos <em>goulags. </em>Em condições por vezes medonhas, centenas de milhares de operários trabalham dia e noite sob a ameaça das espingardas.</font></span> <!-- D(["mb","\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 1pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;As instalações são montadas a toda a pressa, sem respeito pelas condições de segurança. Um engenheiro alemão falará mais tarde de «condições criminosas». Aos riscos de incêndio e de inundações junta-se a certeza das irradiações.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 1pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Em 1947, a explosão de um depósito de dinamite provoca 70 mortos e 170 feridos. Nada afrouxa a cadência de trabalho. Mesmo os físicos são submetidos ao terror. «Que teria acontecido se não tivéssemos conseguido?», escreverá um deles à família. «Teríamos sido simplesmente fuzilados». O destino do físico soviético Sakharov tem analogias com o de Oppenheimer. Pioneiro da bomba de hidrogénio, menino bonito das autoridades militares durante vários anos, as perseguições de que é hoje objecto relacionam-se com a sua oposição às explosões nucleares atmosféricas. Kruchtchev nunca lhe perdoou.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 1pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;E em França? Aproveitando as fraquezas da IV República e as mudanças frequentes de governo, a bomba francesa será obra de um pequeno número de tecnocratas, sem licença oficial do parlamento e, sobretudo, na ausência completa de discussões democráticas. Quando explode, em 1960, contentar-se-ão em a... homologar. Sem vergonha, o seu «desenvolvimento» pesa sobre a nação, deixando recordações pungentes. A última, em data, chama-se... \n\u003ci\&amp;gt;Greenpeace\u003c/i\&amp;gt;.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 1pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Em Inglaterra, Churchill, conhecido pelo seu temperamento autoritário, chega ao poder em 1951 e nunca conseguirá compreender como, sob o governo socialista precedente, puderam os engenheiros ingleses gastar um milhão de libras para a bomba, sem que alguma vez o parlamento tivesse ouvido falar dela.\n",1] );  //--></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 1pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">As instalações são montadas a toda a pressa, sem respeito pelas condições de segurança. Um engenheiro alemão falará mais tarde de «condições criminosas». Aos riscos de incêndio e de inundações junta-se a certeza das irradiações. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 1pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Em 1947, a explosão de um depósito de dinamite provoca 70 mortos e 170 feridos. Nada afrouxa a cadência de trabalho. Mesmo os físicos são submetidos ao terror. «Que teria acontecido se não tivéssemos conseguido?», escreverá um deles à família. «Teríamos sido simplesmente fuzilados». O destino do físico soviético Sakharov tem analogias com o de Oppenheimer. Pioneiro da bomba de hidrogénio, menino bonito das autoridades militares durante vários anos, as perseguições de que é hoje objecto relacionam-se com a sua oposição às explosões nucleares atmosféricas. Kruchtchev nunca lhe perdoou. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 1pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">E em França? Aproveitando as fraquezas da IV República e as mudanças frequentes de governo, a bomba francesa será obra de um pequeno número de tecnocratas, sem licença oficial do parlamento e, sobretudo, na ausência completa de discussões democráticas. Quando explode, em 1960, contentar-se-ão em a&#8230; homologar. Sem vergonha, o seu «desenvolvimento» pesa sobre a nação, deixando recordações pungentes. A última, em data, chama-se&#8230; <em>Greenpeace</em>.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 1pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Em Inglaterra, Churchill, conhecido pelo seu temperamento autoritário, chega ao poder em 1951 e nunca conseguirá compreender como, sob o governo socialista precedente, puderam os engenheiros ingleses gastar um milhão de libras para a bomba, sem que alguma vez o parlamento tivesse ouvido falar dela. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 1pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A maldição é que a bomba tem todos os trunfos no seu jogo: Bob Wilson mencionava «o impulso irresistível do poderio tecnológico associado à máquina burocrática» quando procurava compreender por que é que a capitulação da Alemanha nazi não provocara a interrupção dos trabalhos.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 1pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Acrescentemos o pavor paranóico e a histeria causados pela bomba russa, que, na opinião dos especialistas, «nunca devia ter causado um tal pânico». Os falcões passam por cima de tudo e aproveitam todas as circunstâncias sem se preocuparem com as responsabilidades políticas.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 1pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;«Ao longo da história atómica as decisões são sempre apresentadas ao público como inelutáveis. Contudo, nunca as iniciativas pessoais, os temores histéricos e os entusiasmos passageiros terão, neste ponto, ditado o curso da história mundial.», escreveram Pringle e Spiegelman... em \n\u003ci\&amp;gt;Les barons de l&#39;atome\u003c/i\&amp;gt;, um livro cuja leitura nunca me cansarei de recomendar.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 1pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Num autor chamado Peter Sloterdisk encontrei este belo texto, completamente em harmonia com as páginas precedentes: «Perfeita, soberana, indiferente, a bomba atómica é o verdadeiro buda do Ocidente. Imóvel, repousa no seu silo: actualidade pura e pura potencialidade. É a encarnação das energias cósmicas e a participação dos homens nessas energias; é a obra-prima da espécie humana e a exterminadora desta espécie; é o triunfo da racionalidade técnica e a dissolução na paranóia...\n",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 1pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A maldição é que a bomba tem todos os trunfos no seu jogo: Bob Wilson mencionava «o impulso irresistível do poderio tecnológico associado à máquina burocrática» quando procurava compreender por que é que a capitulação da Alemanha nazi não provocara a interrupção dos trabalhos. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 1pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Acrescentemos o pavor paranóico e a histeria causados pela bomba russa, que, na opinião dos especialistas, «nunca devia ter causado um tal pânico». Os falcões passam por cima de tudo e aproveitam todas as circunstâncias sem se preocuparem com as responsabilidades políticas. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 1pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">«Ao longo da história atómica as decisões são sempre apresentadas ao público como inelutáveis. Contudo, nunca as iniciativas pessoais, os temores histéricos e os entusiasmos passageiros terão, neste ponto, ditado o curso da história mundial.», escreveram Pringle e Spiegelman&#8230; em <em>Les barons de l&#8217;atome</em>, um livro cuja leitura nunca me cansarei de recomendar.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 1pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Num autor chamado Peter Sloterdisk encontrei este belo texto, completamente em harmonia com as páginas precedentes: «Perfeita, soberana, indiferente, a bomba atómica é o verdadeiro buda do Ocidente. Imóvel, repousa no seu silo: actualidade pura e pura potencialidade. É a encarnação das energias cósmicas e a participação dos homens nessas energias; é a obra-prima da espécie humana e a exterminadora desta espécie; é o triunfo da racionalidade técnica e a dissolução na paranóia&#8230; <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 1pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Não é mais viciosa do que a realidade, nem mais destruidora do que nós. Ela é, muito justamente, o reflexo do que nós somos e a expressão materializada dos nossos modos de agir.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 1pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Mais do que considerações estratégicas, é um profundo exame que temos de fazer em relação à bomba. Ela não requer nem luta nem resignação, mas a \n\u003ci\&amp;gt;experiência\u003c/i\&amp;gt; de nós próprios. Nós somos \u003ci\&amp;gt;ela\u003c/i\&amp;gt;».\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Hubert Reeves\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Lisboa, Ed. Gradiva, 1991\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Excertos adaptados\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 1pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Não é mais viciosa do que a realidade, nem mais destruidora do que nós. Ela é, muito justamente, o reflexo do que nós somos e a expressão materializada dos nossos modos de agir. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 1pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Mais do que considerações estratégicas, é um profundo exame que temos de fazer em relação à bomba. Ela não requer nem luta nem resignação, mas a <em>experiência</em> de nós próprios. Nós somos <em>ela</em>».</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><font face="Times New Roman"><em><strong><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/a-bomba-esta-entre-nos-vii/">A bomba está entre nós VII</a></strong></em></font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Hubert Reeves</font></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido? </font></span></em></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Lisboa, Ed. Gradiva, 1991</font></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Excertos adaptados</font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/planetaeclipse.wordpress.com/34/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/planetaeclipse.wordpress.com/34/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/planetaeclipse.wordpress.com/34/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/planetaeclipse.wordpress.com/34/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/planetaeclipse.wordpress.com/34/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/planetaeclipse.wordpress.com/34/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/planetaeclipse.wordpress.com/34/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/planetaeclipse.wordpress.com/34/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/planetaeclipse.wordpress.com/34/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/planetaeclipse.wordpress.com/34/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/planetaeclipse.wordpress.com/34/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/planetaeclipse.wordpress.com/34/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/planetaeclipse.wordpress.com/34/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/planetaeclipse.wordpress.com/34/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/planetaeclipse.wordpress.com/34/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/planetaeclipse.wordpress.com/34/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=34&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A bomba está entre nós V</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 10:12:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A bomba está entre nós IV A bomba provincializa-se Quem quer que duvide do poder dos mitos, tem de considerar o espectáculo extraordinário ao qual assistimos aqui: uma imagética mítica que durante anos alimentou o fervor e apaziguou a consciência desta elite da inteligência mundial. Ilusão&#8230; A sucessão de ocorrências ilustrou abundantemente a vaidade desta [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=33&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/a-bomba-esta-entre-nos-iv/">A bomba está entre nós IV</a></em></strong></p>
<p style="line-height:150%;margin:0;"><a name="114da926964a4d0a__Toc118128634"></a><strong><span style="font-size:14.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A bomba provincializa-se </font></span></strong><strong><span style="font-size:14.5pt;line-height:150%;"></span></strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Quem quer que duvide do poder dos mitos, tem de considerar o espectáculo extraordinário ao qual assistimos aqui: uma imagética mítica que durante anos alimentou o fervor e apaziguou a consciência desta elite da inteligência mundial. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Ilusão&#8230; A sucessão de ocorrências ilustrou abundantemente a vaidade desta esperança. A «força» nunca foi «benevolente». A bomba é uma arma como as outras, se bem que infinitamente mais poderosa. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Mais tarde, a linguagem mítica retorna, mas o mito provincializa-se. Truman espera que a América guarde, para sempre, o exclusivismo deste «depósito sagrado» que lhe foi confiado quase por direito divino. Em 1948 pergunta a Oppenheimer: «Quando serão os Russos capazes de fabricar uma bomba atómica?». «Não faço a menor ideia». «Pois eu sei!» «Quando?». «Nunca!», responde Truman, seguro dos seus apoios celestes. Três anos mais tarde um engenho nuclear explodia na União Soviética&#8230; </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Por igual religiosamente inspirado, o senador Brian McMahon afirma, depois da capitulação, que o bombardeamento do Japão é o maior acontecimento da história do mundo desde o nascimento de Jesus Cristo. E acrescenta: «Os Estados Unidos devem manter-se à cabeça na corrida aos armamentos, porque, se por infelicidade a URSS os apanha, este poderio ilimitado nas mãos das  <!-- D(["mb","\u003ci\&gt;forças do mal\u003c/i\&gt; só poderá conduzir à destruição total».\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Depois da guerra santa contra o nazismo, a guerra santa contra o comunismo. A bomba, decididamente, tem muita sorte, todos os trunfos no seu jogo. Num ritmo infernal, desenvolve-se, aperfeiçoa-se, arranja descendência. Os arsenais enchem-se. E quem faz ouvir a voz da razão?\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:150%\"\&gt;\u003ca name\u003d\"114da926964a4d0a__Toc118128635\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:13.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Os murmúrios inaudíveis da razão\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/a\&gt;\n\u003cspan style\u003d\"font-size:13.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;A actividade de Niels Bohr, o pai da física quântica, para travar o processo infernal é, sem dúvida, uma das passagens mais emocionantes desta história sombria. «É da máxima urgência», dizia ele antes mesmo de a bomba estar pronta, «pôr Estaline ao corrente. Na ausência deste gesto de confiança e boa vontade, será impossível mais tarde estabelecer um controle internacional da energia nuclear. E teremos direito», predizia ele correctamente, «à escalada do terror».\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Durante vários meses Bohr tentou, em vão, avistar-se com os dirigentes da época. Finalmente, Churchill concedeu-lhe uma rápida entrevista... na presença de outro convidado. Escutou distraidamente a petição de Bohr, depois voltou-se para o outro visitante para falar de um assunto completamente diferente. «Posso escrever-lhe?», perguntou Bohr, desesperado. «Sim, na condição de não me falar mais de política». Mais tarde Churchill dirá: «Nunca gostei desse sujeito cabeludo, que queria revelar os nossos segredos aos Russos. Era melhor tê-lo debaixo de olho».\n",1] );  //--> <em>forças do mal</em> só poderá conduzir à destruição total».</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Depois da guerra santa contra o nazismo, a guerra santa contra o comunismo. A bomba, decididamente, tem muita sorte, todos os trunfos no seu jogo. Num ritmo infernal, desenvolve-se, aperfeiçoa-se, arranja descendência. Os arsenais enchem-se. E quem faz ouvir a voz da razão? </font></span></p>
<p style="line-height:150%;margin:0;">&nbsp;</p>
<p></font></span></p>
<p></font></span></p>
<p style="line-height:150%;margin:0;"><a name="114da926964a4d0a__Toc118128635"></a><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Os murmúrios inaudíveis da razão</font></span> <span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A actividade de Niels Bohr, o pai da física quântica, para travar o processo infernal é, sem dúvida, uma das passagens mais emocionantes desta história sombria. «É da máxima urgência», dizia ele antes mesmo de a bomba estar pronta, «pôr Estaline ao corrente. Na ausência deste gesto de confiança e boa vontade, será impossível mais tarde estabelecer um controle internacional da energia nuclear. E teremos direito», predizia ele correctamente, «à escalada do terror». </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Durante vários meses Bohr tentou, em vão, avistar-se com os dirigentes da época. Finalmente, Churchill concedeu-lhe uma rápida entrevista&#8230; na presença de outro convidado. Escutou distraidamente a petição de Bohr, depois voltou-se para o outro visitante para falar de um assunto completamente diferente. «Posso escrever-lhe?», perguntou Bohr, desesperado. «Sim, na condição de não me falar mais de política». Mais tarde Churchill dirá: «Nunca gostei desse sujeito cabeludo, que queria revelar os nossos segredos aos Russos. Era melhor tê-lo debaixo de olho».  <!-- D(["mb","\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Com Roosevelt, apesar de mais afável, o resultado será o mesmo. A bomba atómica para os Aliados é uma arma de poder, e não uma força benevolente. E isto desde 1943, muito tempo antes da sua concretização.\n\u003cspan\&gt;           \u003c/span\&gt;\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;A pedido de Leo Szilard, Albert Einstein contactou duas vezes com o governo americano. Quando em 1939 quis interessar Roosevelt pelo projecto atómico, foi recebido favoravelmente. Quando, a seguir à vitória sobre a Alemanha, os dois físicos quiseram opor-se ao prosseguimento do projecto Manhattan, a Casa Branca fez ouvidos moucos.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Um outro físico inglês, o Dr. Blackett, vencedor do prémio Nobel, apresentou ao primeiro-ministro Attlee, sucessor de Churchill, uma memória contra a continuação do armamento nuclear da Inglaterra. Foi acolhido com rudeza e brutalidade. «O autor, um cientista distinto, fala de problemas políticos e militares de que nada sabe». Para assinalar o facto, Blackett foi excluído da comissão de defesa nacional.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Contrariamente ao mundo científico, o mundo político parece ter ficado impermeável ao mito da «força benevolente».\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;",1] );  //--> </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Com Roosevelt, apesar de mais afável, o resultado será o mesmo. A bomba atómica para os Aliados é uma arma de poder, e não uma força benevolente. E isto desde 1943, muito tempo antes da sua concretização. <span>           </span></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A pedido de Leo Szilard, Albert Einstein contactou duas vezes com o governo americano. Quando em 1939 quis interessar Roosevelt pelo projecto atómico, foi recebido favoravelmente. Quando, a seguir à vitória sobre a Alemanha, os dois físicos quiseram opor-se ao prosseguimento do projecto Manhattan, a Casa Branca fez ouvidos moucos. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Um outro físico inglês, o Dr. Blackett, vencedor do prémio Nobel, apresentou ao primeiro-ministro Attlee, sucessor de Churchill, uma memória contra a continuação do armamento nuclear da Inglaterra. Foi acolhido com rudeza e brutalidade. «O autor, um cientista distinto, fala de problemas políticos e militares de que nada sabe». Para assinalar o facto, Blackett foi excluído da comissão de defesa nacional. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Contrariamente ao mundo científico, o mundo político parece ter ficado impermeável ao mito da «força benevolente». </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;">  <!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Hubert Reeves\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&gt;\u003ci\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido?\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/i\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Lisboa, Ed. Gradiva, 1991\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Excertos adaptados\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n",0] );  //--><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman"><strong><em><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/a-bomba-esta-entre-nos-vi/">A bomba está entre nós VI</a></em></strong></font></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Hubert Reeves</font></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido? </font></span></em></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Lisboa, Ed. Gradiva, 1991</font></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Excertos adaptados</font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/planetaeclipse.wordpress.com/33/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/planetaeclipse.wordpress.com/33/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/planetaeclipse.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/planetaeclipse.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/planetaeclipse.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/planetaeclipse.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/planetaeclipse.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/planetaeclipse.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/planetaeclipse.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/planetaeclipse.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/planetaeclipse.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/planetaeclipse.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/planetaeclipse.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/planetaeclipse.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/planetaeclipse.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/planetaeclipse.wordpress.com/33/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=33&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A bomba está entre nós IV</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 10:11:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[comportamentos]]></category>
		<category><![CDATA[ganância]]></category>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[intolerância]]></category>
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		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[A bomba está entre nós III O caminho da bomba está pavimentado de boas intenções Não conheci Robert Oppenheimer. Segundo a opinião geral, era um ser de excepção. Além do seu perfeito domínio da física, possuía uma vasta cultura literária e filosófica. Sentia-se tão à vontade no domínio das mitologias hindus como no da literatura [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=32&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/a-bomba-esta-entre-nos-iii/">A bomba está entre nós III</a></em></strong></p>
<p style="margin:0;"><a name="114da684ad2bdbab__Toc118128631" title="114da684ad2bdbab__Toc118128631"></a><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">O caminho da bomba está pavimentado de boas intenções</font></span><span style="font-size:14.5pt;"> </span></p>
<p></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Não conheci Robert Oppenheimer. Segundo a opinião geral, era um ser de excepção. Além do seu perfeito domínio da física, possuía uma vasta cultura literária e filosófica. Sentia-se tão à vontade no domínio das mitologias hindus como no da literatura francesa medieval. Antes da guerra não dava muita importância aos acontecimentos da política internacional. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Mas ninguém, sobretudo um judeu, pode desinteressar-se da política no início dos anos quarenta. Em todas as frentes Hitler triunfa. A sua ambição é sem limites, os exércitos alemães invadem a Europa, subjugando populações inteiras. Os campos de extermínio multiplicam-se. A nova ordem que se vai impondo ameaça a própria civilização, é o retorno à barbárie e, para os judeus, a morte a curto prazo. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Por acréscimo, certos rumores deixam entender que os nazis se interessam pela bomba atómica&#8230; Sabemos agora que os Alemães tentaram, efectivamente, desenvolver o armamento nuclear. Mas não foram muito longe. Para Hitler, o cientista era mais útil na frente de batalha do que no laboratório. Felizmente! Uma bomba atómica alemã teria mudado o curso da história. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Nessa época opera-se uma aliança simultaneamente espantosa e significativa. O exército americano confia o projecto nuclear ao general Groves, um militar de carreira, cabeçudo, da extrema-direita, alérgico aos intelectuais e liberais.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Para seu colaborador científico principal chama Oppenheimer. Estas duas personagens, na aparência, o mais incompatíveis possível, vão trabalhar em estreita colaboração durante anos.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;As vitórias alemãs, os campos de extermínio de judeus, estimulam e dinamizam a equipa de Los Alamos. No plano moral, a situação é límpida: não é hora para hesitações e escrúpulos. É preciso fabricar a bomba. E \n\u003ci\&amp;gt;depressa\u003c/i\&amp;gt;. Creio que, se então tivesse a idade necessária e me tivessem convidado, ter-me-ia lançado com entusiasmo nesta aventura, com o sentimento exaltante de participar na salvação da civilização.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Em 8 de Maio de 1945 os exércitos alemães capitulam. É a vitória das forças aliadas na Europa. No Pacífico, os Japoneses resistem ainda, mas, com toda a evidência, a guerra está perdida também para eles. A bomba atómica não está ainda pronta.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ca name\u003d\"114da684ad2bdbab__Toc118128632\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Outras intenções menos boas...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Nessa época opera-se uma aliança simultaneamente espantosa e significativa. O exército americano confia o projecto nuclear ao general Groves, um militar de carreira, cabeçudo, da extrema-direita, alérgico aos intelectuais e liberais. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Para seu colaborador científico principal chama Oppenheimer. Estas duas personagens, na aparência, o mais incompatíveis possível, vão trabalhar em estreita colaboração durante anos. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">As vitórias alemãs, os campos de extermínio de judeus, estimulam e dinamizam a equipa de Los Alamos. No plano moral, a situação é límpida: não é hora para hesitações e escrúpulos. É preciso fabricar a bomba. E <em>depressa</em>. Creio que, se então tivesse a idade necessária e me tivessem convidado, ter-me-ia lançado com entusiasmo nesta aventura, com o sentimento exaltante de participar na salvação da civilização. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Em 8 de Maio de 1945 os exércitos alemães capitulam. É a vitória das forças aliadas na Europa. No Pacífico, os Japoneses resistem ainda, mas, com toda a evidência, a guerra está perdida também para eles. A bomba atómica não está ainda pronta. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><a name="114da684ad2bdbab__Toc118128632" title="114da684ad2bdbab__Toc118128632"></a><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Outras intenções menos boas&#8230; </font></span><!-- D(["mb","\u003c/a\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Como se reage em Los Alamos? Mais tarde Bob Wilson dirá: «Nesse dia devia ter devolvido o meu distintivo, fechado o laboratório para nunca mais lá pôr os pés. Por que não o fiz? Nunca consegui compreendê-lo. É, em toda a minha vida, o que mais lastimo».\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A hipótese de uma interrupção dos trabalhos é timidamente evocada por numerosos cientistas, mas sobretudo por descargo de consciência. Ninguém, em verdade, acredita nisso. O clima psicológico não é propício.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Sem dúvida, os argumentos a favor da bomba existem ainda, mas de uma forma singularmente enfraquecida. Já não se trata de salvar a civilização, mas apenas de poupar as despesas da invasão do território japonês, poupando, assim, alguns \n\u003ci\&amp;gt;milhões\u003c/i\&amp;gt; de soldados e civis. Mais vale sacrificar uma \u003ci\&amp;gt;centena de milhar\u003c/i\&amp;gt; de japoneses...\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;É bom em termos contabilísticos, mas de uma contabilidade a curto prazo, porque, a longo prazo, seria necessário ter em conta as \n\u003ci\&amp;gt;centenas de milhões\u003c/i\&amp;gt; de mortes que uma futura guerra nuclear poderia ocasionar. «Cá estou, cá fico», diz a bomba.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Isto conduz-nos ao ponto crucial da nossa discussão: será a bomba inevitável? Suponhamos que, se se tivesse nesse momento decidido fechar a loja, queimar os documentos, destruir as instalações, porque os Russos já se interessavam pela bomba, cedo ou tarde os Americanos seriam forçados a retomar os trabalhos.\n",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Como se reage em Los Alamos? Mais tarde Bob Wilson dirá: «Nesse dia devia ter devolvido o meu distintivo, fechado o laboratório para nunca mais lá pôr os pés. Por que não o fiz? Nunca consegui compreendê-lo. É, em toda a minha vida, o que mais lastimo». </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A hipótese de uma interrupção dos trabalhos é timidamente evocada por numerosos cientistas, mas sobretudo por descargo de consciência. Ninguém, em verdade, acredita nisso. O clima psicológico não é propício. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Sem dúvida, os argumentos a favor da bomba existem ainda, mas de uma forma singularmente enfraquecida. Já não se trata de salvar a civilização, mas apenas de poupar as despesas da invasão do território japonês, poupando, assim, alguns <em>milhões</em> de soldados e civis. Mais vale sacrificar uma <em>centena de milhar</em> de japoneses&#8230;</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">É bom em termos contabilísticos, mas de uma contabilidade a curto prazo, porque, a longo prazo, seria necessário ter em conta as <em>centenas de milhões</em> de mortes que uma futura guerra nuclear poderia ocasionar. «Cá estou, cá fico», diz a bomba.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Isto conduz-nos ao ponto crucial da nossa discussão: será a bomba inevitável? Suponhamos que, se se tivesse nesse momento decidido fechar a loja, queimar os documentos, destruir as instalações, porque os Russos já se interessavam pela bomba, cedo ou tarde os Americanos seriam forçados a retomar os trabalhos. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Como um paquete navegando a toda a velocidade, o projecto, dirá mais tarde Oppenheimer, era \n\u003ci\&amp;gt;irresistivelmente empurrado\u003c/i\&amp;gt; pelo seu próprio impulso. «Quando se nos depara a possibilidade de cometer a proeza técnica, baixamos a cabeça, e atiramo-nos para a frente, sem perguntar o que nos convirá fazer, uma vez concluída a tarefa. Assim aconteceu com a bomba atómica». Senhora de todos os argumentos, \n\u003ci\&amp;gt;a bomba atómica não sofreu nunca qualquer atraso\u003c/i\&amp;gt;.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Os trabalhos prosseguiram sem interrupção e a bomba de ensaio explodiu no Novo México no Verão de 1945.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Desde esse momento pôs-se a questão do futuro da bomba. Será preciso usá-la? Em que condições? Uns propõem que se convidem os generais inimigos para um novo ensaio no mesmo local, com o fito de os impressionar. Outros pensam que é necessário fazer explodir a bomba sobre território japonês, mas numa região desabitada.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;«Ora bolas para os escrúpulos», dizem os falcões de então, «devastemos com firmeza cidades não bombardeadas até aqui, para melhor podermos avaliar a extensão das destruições». É este ponto de vista que triunfa. Depois de Hiroxima e Nagasáqui, os Japoneses pedem a paz.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Como terá Hans Bethe vivido estes acontecimentos? «À partida estávamos muito inquietos. O engenho funcionaria? Quando recebemos as notícias do êxito, ficámos, primeiro, descansados, para depois mergulharmos no horror. Que foi que fizemos? Que foi que fizemos?» Desde esse instante data a sua decisão, nunca posta em dúvida, de se opor ao prosseguimento dos ensaios nucleares.\n",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Como um paquete navegando a toda a velocidade, o projecto, dirá mais tarde Oppenheimer, era <em>irresistivelmente empurrado</em> pelo seu próprio impulso. «Quando se nos depara a possibilidade de cometer a proeza técnica, baixamos a cabeça, e atiramo-nos para a frente, sem perguntar o que nos convirá fazer, uma vez concluída a tarefa. Assim aconteceu com a bomba atómica». Senhora de todos os argumentos, <em>a bomba atómica não sofreu nunca qualquer atraso</em>.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Os trabalhos prosseguiram sem interrupção e a bomba de ensaio explodiu no Novo México no Verão de 1945. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Desde esse momento pôs-se a questão do futuro da bomba. Será preciso usá-la? Em que condições? Uns propõem que se convidem os generais inimigos para um novo ensaio no mesmo local, com o fito de os impressionar. Outros pensam que é necessário fazer explodir a bomba sobre território japonês, mas numa região desabitada. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">«Ora bolas para os escrúpulos», dizem os falcões de então, «devastemos com firmeza cidades não bombardeadas até aqui, para melhor podermos avaliar a extensão das destruições». É este ponto de vista que triunfa. Depois de Hiroxima e Nagasáqui, os Japoneses pedem a paz. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Como terá Hans Bethe vivido estes acontecimentos? «À partida estávamos muito inquietos. O engenho funcionaria? Quando recebemos as notícias do êxito, ficámos, primeiro, descansados, para depois mergulharmos no horror. Que foi que fizemos? Que foi que fizemos?» Desde esse instante data a sua decisão, nunca posta em dúvida, de se opor ao prosseguimento dos ensaios nucleares. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;«Em Los Alamos não reflectíamos», dirá ele mais tarde, «o trabalho absorvia-nos inteiramente. Era preciso terminá-lo. Penso que, uma vez iniciado, o movimento continuou à custa do seu próprio embalo».\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Philip Morrison procedeu à última inspecção da bomba na ilha de Tinian, justamente antes da partida para Hiroxima. Na universidade falava livremente, retomando o argumento oficial dos milhões de vítimas que teria custado o desembarque no Japão. Mas sentíamo-lo preocupado, muito mais do que desejava mostrar.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Quanto a Bob Wilson, a sua mulher conta que no dia de Hiroxima regressou a casa aos vómitos. «E ainda vomito todas as vezes que penso nisso», acrescenta ele.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:6pt 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:6pt 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003ca name\u003d\"114da684ad2bdbab__Toc118128633\"\&amp;gt;\u003cb\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:13.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;E ilusões: as duas faces de Prometeu\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\n\u003c/b\&amp;gt;\u003c/a\&amp;gt;\u003cb\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:13.5pt\"\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/b\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cb\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\n\u003c/b\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">«Em Los Alamos não reflectíamos», dirá ele mais tarde, «o trabalho absorvia-nos inteiramente. Era preciso terminá-lo. Penso que, uma vez iniciado, o movimento continuou à custa do seu próprio embalo». </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Philip Morrison procedeu à última inspecção da bomba na ilha de Tinian, justamente antes da partida para Hiroxima. Na universidade falava livremente, retomando o argumento oficial dos milhões de vítimas que teria custado o desembarque no Japão. Mas sentíamo-lo preocupado, muito mais do que desejava mostrar. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Quanto a Bob Wilson, a sua mulher conta que no dia de Hiroxima regressou a casa aos vómitos. «E ainda vomito todas as vezes que penso nisso», acrescenta ele. </font></span></p>
<p style="margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="margin:6pt 0 0;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="margin:0;"><a name="114da684ad2bdbab__Toc118128633" title="114da684ad2bdbab__Toc118128633"></a><strong><span style="font-size:13.5pt;"><font face="Times New Roman">E ilusões: as duas faces de Prometeu</font></span> </strong><strong><span style="font-size:13.5pt;"></span></strong></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><strong><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman"> </font></span> </strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman"><!-- D(["mb","Sobre o estado de alma dos cientistas de Los Alamos, Oppenheimer dirá mais tarde, com grande lucidez – e aborrecimento de muitos –, que os físicos conheceram o pecado.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Libertar a energia das estrelas é, como fez Prometeu, arrancar o fogo do céu. É a Natureza controlada, domesticada, dominada, como nunca antes na história dos homens. O físico torna-se demiurgo.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;É fácil imaginar a exaltação no momento da primeira explosão. Oppenheimer conta como, nesse mesmo instante, lhe vêm à memória as palavras de Krishna no \n\u003ci\&amp;gt;Mahabharata\u003c/i\&amp;gt; (um dos livros sagrados da tradição hindu). São versos de ressonância profética:\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt 2cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Os raios de um milhão de sóis\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt 2cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Resplandecendo num só golpe no céu,\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\n\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt 2cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Assim será o esplendor do Todo-Poderoso.\u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt 2cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Tornei-me a morte,\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt 2cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;",1] );  //-->Sobre o estado de alma dos cientistas de Los Alamos, Oppenheimer dirá mais tarde, com grande lucidez – e aborrecimento de muitos –, que os físicos conheceram o pecado. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Libertar a energia das estrelas é, como fez Prometeu, arrancar o fogo do céu. É a Natureza controlada, domesticada, dominada, como nunca antes na história dos homens. O físico torna-se demiurgo. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">É fácil imaginar a exaltação no momento da primeira explosão. Oppenheimer conta como, nesse mesmo instante, lhe vêm à memória as palavras de Krishna no <em>Mahabharata</em> (um dos livros sagrados da tradição hindu). São versos de ressonância profética:</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt 2cm;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Os raios de um milhão de sóis</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt 2cm;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Resplandecendo num só golpe no céu,</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt 2cm;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Assim será o esplendor do Todo-Poderoso.</font> </span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt 2cm;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Tornei-me a morte,</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt 2cm;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O destruidor do universo.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:6pt 0cm 2pt\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;No seu livro \u003ci\&amp;gt;\nDisturbing the Universe\u003c/i\&amp;gt;, o físico Freeman Dyson fala, com justeza, do «pacto faustiano». Tal como Fausto aceita o pacto de Mefistófeles, os físicos aliam-se ao exército para ascenderem a um nível superior da ciência e do poderio. Mas, enquanto Fausto suporta sozinho as consequências do seu gesto, o peso das experiências de Los Alamos cai sobre a Humanidade inteira.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O mito de Prometeu tem duas faces. A primeira remete-nos para Fausto: a embriaguez do saber e do poder. A segunda é messiânica: Prometeu, \n\u003ci\&amp;gt;benfeitor da Humanidade\u003c/i\&amp;gt;.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O mito da «força benevolente» é uma imagem intemporal, um desses arquétipos profundamente gravados na psique humana e que vem regularmente ao de cima na literatura mundial. É Gilgamesh entre os Assírios, Sansão para os Judeus, Hércules na Grécia antiga e, mais próximo de nós, o Super-Homem, Tarzan ou Zorro. O poder que vem em socorro das boas causas, da viúva e do órfão.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;No mesmo espírito, Oppenheimer evocará outra passagem do \n\u003ci\&amp;gt;Mahabharata\u003c/i\&amp;gt;, um acontecimento da vida de Xiva, o criador dos mundos, mas também o destruidor universal, quando os tempos chegam ao fim. Xiva tenta trazer à razão um reizinho despótico e quezilento. Como os seus conselhos de nada servem para lhe instilar um receio salutar, Xiva metamorfoseia-se e enverga os terríveis trajes de destruidor dos mundos. «Cada um de nós \nem Los Alamos foi influenciado, nesse momento ou noutro qualquer, por uma imagem análoga», acrescenta Oppenheimer.",1] );  //--><font face="Times New Roman">O destruidor do universo.</font></span></p>
<p style="margin:6pt 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">No seu livro <em>Disturbing the Universe</em>, o físico Freeman Dyson fala, com justeza, do «pacto faustiano». Tal como Fausto aceita o pacto de Mefistófeles, os físicos aliam-se ao exército para ascenderem a um nível superior da ciência e do poderio. Mas, enquanto Fausto suporta sozinho as consequências do seu gesto, o peso das experiências de Los Alamos cai sobre a Humanidade inteira. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O mito de Prometeu tem duas faces. A primeira remete-nos para Fausto: a embriaguez do saber e do poder. A segunda é messiânica: Prometeu, <em>benfeitor da Humanidade</em>.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O mito da «força benevolente» é uma imagem intemporal, um desses arquétipos profundamente gravados na psique humana e que vem regularmente ao de cima na literatura mundial. É Gilgamesh entre os Assírios, Sansão para os Judeus, Hércules na Grécia antiga e, mais próximo de nós, o Super-Homem, Tarzan ou Zorro. O poder que vem em socorro das boas causas, da viúva e do órfão. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">No mesmo espírito, Oppenheimer evocará outra passagem do <em>Mahabharata</em>, um acontecimento da vida de Xiva, o criador dos mundos, mas também o destruidor universal, quando os tempos chegam ao fim. Xiva tenta trazer à razão um reizinho despótico e quezilento. Como os seus conselhos de nada servem para lhe instilar um receio salutar, Xiva metamorfoseia-se e enverga os terríveis trajes de destruidor dos mundos. «Cada um de nós em Los Alamos foi influenciado, nesse momento ou noutro qualquer, por uma imagem análoga», acrescenta Oppenheimer. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;«Esperamos que o poder quase ilimitado que vai nascer nos nossos laboratórios sirva para paralisar as más intenções e para impor aos humanos uma conduta razoável. Oferecemos à Humanidade uma arma que, nas mãos das Nações Unidas, se tornará uma garantia de paz». Estas palavras, segundo Oppenheimer, sustentavam os investigadores nas horas de dúvidas e escrúpulos. «Quem ama castiga», diz o provérbio, mas é preciso um chicote.\n\u003cspan\&amp;gt;      \u003c/span\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ainda na mesma via, o financeiro americano Bernard Baruch apresentará, alguns anos mais tarde, um projecto de acordo soviético-americano no qual se pede que as Nações Unidas criem um arsenal atómico para castigar toda a nação que, tendo reconhecido a nova agência, ousasse infringir as suas regras. O projecto foi rejeitado por unanimidade...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Hubert Reeves\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido?\n",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">«Esperamos que o poder quase ilimitado que vai nascer nos nossos laboratórios sirva para paralisar as más intenções e para impor aos humanos uma conduta razoável. Oferecemos à Humanidade uma arma que, nas mãos das Nações Unidas, se tornará uma garantia de paz». Estas palavras, segundo Oppenheimer, sustentavam os investigadores nas horas de dúvidas e escrúpulos. «Quem ama castiga», diz o provérbio, mas é preciso um chicote. <span>      </span></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Ainda na mesma via, o financeiro americano Bernard Baruch apresentará, alguns anos mais tarde, um projecto de acordo soviético-americano no qual se pede que as Nações Unidas criem um arsenal atómico para castigar toda a nação que, tendo reconhecido a nova agência, ousasse infringir as suas regras. O projecto foi rejeitado por unanimidade&#8230; </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman"><em><strong><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/a-bomba-esta-entre-nos-v/">A bomba está entre nós V</a></strong></em></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Hubert Reeves</font></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido? <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Lisboa, Ed. Gradiva, 1991\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Excertos adaptados\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n",0] ); D(["ce"]);  //--></font></span></em></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Lisboa, Ed. Gradiva, 1991</font></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Excertos adaptados</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/planetaeclipse.wordpress.com/32/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/planetaeclipse.wordpress.com/32/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/planetaeclipse.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/planetaeclipse.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/planetaeclipse.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/planetaeclipse.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/planetaeclipse.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/planetaeclipse.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/planetaeclipse.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/planetaeclipse.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/planetaeclipse.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/planetaeclipse.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/planetaeclipse.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/planetaeclipse.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/planetaeclipse.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/planetaeclipse.wordpress.com/32/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=32&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A bomba está entre nós III</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 10:10:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[bomba atómica]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<description><![CDATA[A bomba está entre nós II  &#160; Discípulos exemplares&#8230; &#160; &#160; Em 1935, um rumor; em 1986, uma realidade terrível. Os historiadores que, após um eventual cataclismo nuclear, desejarem narrar as suas etapas preliminares, citarão Los Alamos como um dos lugares altos dessa preparação. Na logística do grande golpe contra a Humanidade, este laboratório terá [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=31&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin:0;"><em><strong><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/a-bomba-esta-entre-nos-ii/">A bomba está entre nós II </a></strong></em></p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="margin:0;"><a name="114da51a46c051b9__Toc118128630" title="114da51a46c051b9__Toc118128630"></a><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">Discípulos exemplares&#8230;</font></span><span style="font-size:14.5pt;"></span></p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Em 1935, um rumor; em 1986, uma realidade terrível. Os historiadores que, após um eventual cataclismo nuclear, desejarem narrar as suas etapas preliminares, citarão Los Alamos como um dos lugares altos dessa preparação. Na logística do grande golpe contra a Humanidade, este laboratório terá assumido um papel-chave. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Na película <em>The Day after Trinity</em> são entrevistados vários participantes, tanto sobre o seu papel como sobre os seus estados de alma ao longo de todos estes anos. Ao mesmo tempo emocionante e instrutivo, o filme propõe abundante matéria à nossa reflexão. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O <em>Dr. Strangelove</em>, de Stanley Kubrick, divulgou a imagem do cientista atómico, paranóico genial, obcecado por engenhos cada vez mais destruidores. Se esta representação não é sempre destituída de fundamento (alguns quiseram ver nela o retrato de Edward Teller, outro refugiado húngaro, grandemente responsável pela bomba H), decerto não se aplica à maioria dos artesãos do «projecto Manhattan» (nome secreto da operação atómica de Los Alamos). </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Estudante na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, no fim dos anos cinquenta, conheci, pessoalmente, vários dos responsáveis deste projecto. Todos eram ardentes pacifistas, activos oponentes ao maccartismo, esse anticomunismo primário que, na época, se comprazia em exercer sevícias a torto e a direito.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Hans Bethe dirigiu a secção teórica do projecto Manhattan de \n1943 a 1946. De origem judia alemã, fugira da Europa alguns anos antes. «É uma das mais belas ofertas da Alemanha nazi aos Estados Unidos», dizia-se dele. Já antes da guerra o classificavam entre os melhores físicos nucleares.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Muito jovem, tinha resolvido um problema secular: o da fonte de energia do Sol. Em 1938, com alguns colaboradores, demonstrou que o coração das estrelas era palco de reacções nucleares, cuja energia era mais do que suficiente para explicar a luminosidade das estrelas. Este trabalho valeu-lhe o prémio Nobel em 1967.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Estou ainda a vê-lo, alto, digno e sereno, percorrendo a largas passadas os corredores do Rockfeller Hall, edifício do departamento de física da universidade, rodeado por um cenáculo de jovens investigadores.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Nas conferências semanais daquele departamento sentava-se no fundo da sala e prosseguia os seus trabalhos, aparentando não dar nenhuma atenção às discussões que se desencadeavam entre os assistentes. Todavia, quando a situação se obscurecia, ouvíamo-lo tossir gravemente. Seguia-se um longo silêncio; depois, em algumas frases, dissipavam-se as brumas, tudo se tornava luminoso. Creio que tínhamos por ele uma verdadeira veneração.\n",1] );  //--><font face="Times New Roman">Estudante na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, no fim dos anos cinquenta, conheci, pessoalmente, vários dos responsáveis deste projecto. Todos eram ardentes pacifistas, activos oponentes ao maccartismo, esse anticomunismo primário que, na época, se comprazia em exercer sevícias a torto e a direito. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Hans Bethe dirigiu a secção teórica do projecto Manhattan de 1943 a 1946. De origem judia alemã, fugira da Europa alguns anos antes. «É uma das mais belas ofertas da Alemanha nazi aos Estados Unidos», dizia-se dele. Já antes da guerra o classificavam entre os melhores físicos nucleares. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Muito jovem, tinha resolvido um problema secular: o da fonte de energia do Sol. Em 1938, com alguns colaboradores, demonstrou que o coração das estrelas era palco de reacções nucleares, cuja energia era mais do que suficiente para explicar a luminosidade das estrelas. Este trabalho valeu-lhe o prémio Nobel em 1967. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Estou ainda a vê-lo, alto, digno e sereno, percorrendo a largas passadas os corredores do Rockfeller Hall, edifício do departamento de física da universidade, rodeado por um cenáculo de jovens investigadores. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Nas conferências semanais daquele departamento sentava-se no fundo da sala e prosseguia os seus trabalhos, aparentando não dar nenhuma atenção às discussões que se desencadeavam entre os assistentes. Todavia, quando a situação se obscurecia, ouvíamo-lo tossir gravemente. Seguia-se um longo silêncio; depois, em algumas frases, dissipavam-se as brumas, tudo se tornava luminoso. Creio que tínhamos por ele uma verdadeira veneração. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A cada um dos estudantes do laboratório dava uma atenção amigável e exigente. Com regularidade, vinha até nós e, fingindo querer saber apenas as novidades, acabava por nos submeter a um interrogatório cerrado sobre o andamento dos nossos trabalhos. A sua passagem criava muita apreensão: «Fulano está com o mestre, vi-os pela janela. Cheira-me que as coisas não vão lá muito bem». Mas apreciávamos muito os seus conselhos, o seu olhar sobre os nossos trabalhos. Deixávamo-nos levar pelo seu vigor e rigor e aceitávamos, de boa mente, as suas normas de excelência.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Consciente da responsabilidade do cientista, consagrou, depois de Los Alamos, uma parte importante da sua actividade a opor-se à escalada nuclear, argumentando que só o diálogo entre as partes adversas, só a união ao nível político e humano, podiam afastar a ameaça de guerra. Membro do conselho científico do presidente dos Estados Unidos, a ele ficámos a dever a interdição dos ensaios nucleares na atmosfera, decidida em 1963.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Nunca cheguei a saber exactamente qual o papel que Robert Wilson desempenhou \nem Los Alamos, mas sem dúvida que se ocupou das experiências. Durante os meus estudos em Cornell, partilhava ele com Hans Bethe a direcção do Newman Nuclear Laboratory. Tanto quanto Bethe se nos impunha pela gravidade da sua atitude, assim Wilson era directo e jovial. Durante as suas aulas não perdia ocasião de implicar com os físicos teóricos, afogados \nem equações. Com ele tudo era simples, claro e eficaz.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A cada um dos estudantes do laboratório dava uma atenção amigável e exigente. Com regularidade, vinha até nós e, fingindo querer saber apenas as novidades, acabava por nos submeter a um interrogatório cerrado sobre o andamento dos nossos trabalhos. A sua passagem criava muita apreensão: «Fulano está com o mestre, vi-os pela janela. Cheira-me que as coisas não vão lá muito bem». Mas apreciávamos muito os seus conselhos, o seu olhar sobre os nossos trabalhos. Deixávamo-nos levar pelo seu vigor e rigor e aceitávamos, de boa mente, as suas normas de excelência. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Consciente da responsabilidade do cientista, consagrou, depois de Los Alamos, uma parte importante da sua actividade a opor-se à escalada nuclear, argumentando que só o diálogo entre as partes adversas, só a união ao nível político e humano, podiam afastar a ameaça de guerra. Membro do conselho científico do presidente dos Estados Unidos, a ele ficámos a dever a interdição dos ensaios nucleares na atmosfera, decidida em 1963. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Nunca cheguei a saber exactamente qual o papel que Robert Wilson desempenhou em Los Alamos, mas sem dúvida que se ocupou das experiências. Durante os meus estudos em Cornell, partilhava ele com Hans Bethe a direcção do Newman Nuclear Laboratory. Tanto quanto Bethe se nos impunha pela gravidade da sua atitude, assim Wilson era directo e jovial. Durante as suas aulas não perdia ocasião de implicar com os físicos teóricos, afogados em equações. Com ele tudo era simples, claro e eficaz.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Wilson é o homem dos aceleradores de partículas. Depois de ter construído o betatrão de Cornell, dirigiu no Fermi Laboratory, de Chicago, um dos maiores aceleradores actuais, comparável ao CERN, de Genebra.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Apaixonado pela arquitectura, tinha particular afeição pelas construções do período gótico, de que falava muitas vezes, com competência e calor. Para ele os aceleradores gigantes são, de certo modo, as catedrais dos nossos dias. Wilson tem pelo seu trabalho o fervor de um artesão medieval.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt; \n\u003c/span\&amp;gt;Quero apresentar-vos agora Philip Morrison, sem dúvida o meu preferido. Impossível perder um curso, uma conferência pública de Morrison. Era o grande espectáculo. Ouço ainda o seu passo claudicante para o estrado, revejo os seus gestos um pouco patéticos para se instalar e o seu belo sorriso inteligente, um nadinha malicioso.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A exposição arrancava a todo o vapor, as ideias encadeavam-se numa torrente inspirada, pontuada de truculência e de entusiasmo irresistíveis. A mistura, sabiamente doseada, de rigor lógico, de arrebatamentos líricos e de piadas insolentes contra as «instituições», mergulhava-nos num estado de êxtase, de que se emergia a custo. Queríamos sempre mais... Um dos seus números favoritos começava por uma iniciação às maravilhas das técnicas de telecomunicações, para terminar por uma sátira contundente à inépcia das mensagens veiculadas pelas ondas.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Wilson é o homem dos aceleradores de partículas. Depois de ter construído o betatrão de Cornell, dirigiu no Fermi Laboratory, de Chicago, um dos maiores aceleradores actuais, comparável ao CERN, de Genebra. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Apaixonado pela arquitectura, tinha particular afeição pelas construções do período gótico, de que falava muitas vezes, com competência e calor. Para ele os aceleradores gigantes são, de certo modo, as catedrais dos nossos dias. Wilson tem pelo seu trabalho o fervor de um artesão medieval. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman"><span>  </span>Quero apresentar-vos agora Philip Morrison, sem dúvida o meu preferido. Impossível perder um curso, uma conferência pública de Morrison. Era o grande espectáculo. Ouço ainda o seu passo claudicante para o estrado, revejo os seus gestos um pouco patéticos para se instalar e o seu belo sorriso inteligente, um nadinha malicioso. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A exposição arrancava a todo o vapor, as ideias encadeavam-se numa torrente inspirada, pontuada de truculência e de entusiasmo irresistíveis. A mistura, sabiamente doseada, de rigor lógico, de arrebatamentos líricos e de piadas insolentes contra as «instituições», mergulhava-nos num estado de êxtase, de que se emergia a custo. Queríamos sempre mais&#8230; Um dos seus números favoritos começava por uma iniciação às maravilhas das técnicas de telecomunicações, para terminar por uma sátira contundente à inépcia das mensagens veiculadas pelas ondas. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Posto na lista negra das autoridades americanas por causa das suas simpatias de esquerda, foi-lhe cortado, durante os anos cinquenta, todo o acesso aos documentos secretos da defesa nacional. Nessa época, o seu telefone estava ligado a um posto de escuta e o seu correio era sistematicamente aberto.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Facecioso, criou um método de detecção das explosões nucleares (pelo seu reflexo sobre a face escura da Lua), de que enviou uma memória a Washington. Aterrorizados, os funcionários lembram-lhe as interdições de que é objecto. «Se não o querem, a quem me sugerem que o envie?».\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Havia ainda Richard Feynman, preocupado com a filosofia e os problemas religiosos. Almoçava muitas vezes com os estudantes. Sentíamo-nos fascinados por esta personagem genial, que fazia física, como jogava bongo.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Hubert Reeves\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Lisboa, Ed. Gradiva, 1991\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Posto na lista negra das autoridades americanas por causa das suas simpatias de esquerda, foi-lhe cortado, durante os anos cinquenta, todo o acesso aos documentos secretos da defesa nacional. Nessa época, o seu telefone estava ligado a um posto de escuta e o seu correio era sistematicamente aberto. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Facecioso, criou um método de detecção das explosões nucleares (pelo seu reflexo sobre a face escura da Lua), de que enviou uma memória a Washington. Aterrorizados, os funcionários lembram-lhe as interdições de que é objecto. «Se não o querem, a quem me sugerem que o envie?». </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Havia ainda Richard Feynman, preocupado com a filosofia e os problemas religiosos. Almoçava muitas vezes com os estudantes. Sentíamo-nos fascinados por esta personagem genial, que fazia física, como jogava bongo. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p><em><strong>A bomba está entre nós IV</strong></em> <a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/a-bomba-esta-entre-nos-iv/">continuação</a></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Hubert Reeves</font></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido? </font></span></em></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Lisboa, Ed. Gradiva, 1991</font></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Excertos adaptados\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n",0] ); D(["ce"]);  //--></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Excertos adaptados</font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/planetaeclipse.wordpress.com/31/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/planetaeclipse.wordpress.com/31/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/planetaeclipse.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/planetaeclipse.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/planetaeclipse.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/planetaeclipse.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/planetaeclipse.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/planetaeclipse.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/planetaeclipse.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/planetaeclipse.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/planetaeclipse.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/planetaeclipse.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/planetaeclipse.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/planetaeclipse.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/planetaeclipse.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/planetaeclipse.wordpress.com/31/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=31&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A bomba está entre nós II</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 10:07:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[bomba atómica]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
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		<description><![CDATA[A bomba está entre nós I «Um conto de dormir em pé»   Mas voltemos à génese do armamento nuclear. Os primeiros rumores sobre a possibilidade de fabricar uma super-bomba, dita atómica, começam a circular no mundo científico alguns anos antes da Segunda Guerra Mundial. É o despontar da era nuclear. Pressentem-se então as propriedades [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=30&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/a-bomba-esta-entre-nos-hubert-reeves/">A bomba está entre nós I</a></em></strong></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><a name="114da482399c1c1a__Toc118128628" title="114da482399c1c1a__Toc118128628"></a><strong><span style="font-size:14.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">«Um conto de dormir em pé»</font></span></strong><strong><span style="font-size:14.5pt;line-height:150%;"></span></strong></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><strong><span style="font-size:14.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman"> </font></span> </strong></p>
<p><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman"></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;">Mas voltemos à génese do armamento nuclear. Os primeiros rumores sobre a possibilidade de fabricar uma super-bomba, dita atómica, começam a circular no mundo científico alguns anos antes da Segunda Guerra Mundial. </span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span></font></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;">É o despontar da era nuclear. Pressentem-se então as propriedades explosivas do urânio, cujo átomo, radioactivo, se quebra facilmente, com emissão de energia. Um bloco de mineral de urânio liberta continuamente calor. Para o sentir basta tocar-lhe com a mão. Em cada instante, no interior do bloco, dá-se a fissão de milhões de núcleos. </span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span></font></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;">Pode-se acelerar artificialmente esta fissão submetendo os átomos a um fluxo de neutrões. Ao absorver um neutrão, o átomo de urânio torna-se muito mais vulnerável à fissão e cinde-se rapidamente, emitindo numerosos neutrões. Daí a possibilidade de uma reacção em cadeia. </span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span></font></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;">Um núcleo de urânio absorve um neutrão, cinde-se, emite neutrões, imediatamente absorvidos pelos átomos vizinhos, que se cindem por sua vez, etc. <span></span></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span></font></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;As energias libertadas por cada uma destas fissões somam-se e podem atingir proporções gigantescas. \n\u003ci\&amp;gt;Donde a ideia de uma bomba\u003c/i\&amp;gt;. Um quilo de urânio liberta, assim, mais calor do que mil toneladas de dinamite. Quanto basta para devastar uma pequena cidade. Uma tonelada de urânio fará desaparecer do mapa a maior das cidades do planeta. \n\u003c/span\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%;font-family:Arial\"\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;Mas naquela época ninguém sabe se o projecto é realizável. As dificuldades técnicas parecem inultrapassáveis; a maior parte dos cientistas mantém-se céptica. Um projecto utópico, a remeter para as prateleiras do esquecimento, juntamente com o «movimento perpétuo» e a «máquina de viajar no tempo». \n\u003c/span\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%;font-family:Arial\"\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;«Um conto de dormir em pé», dizia Ernest Rutherford, um dos maiores físicos do nosso século. \n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%;font-family:Arial\"\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n",0] );  //--><font face="Times New Roman"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;">As energias libertadas por cada uma destas fissões somam-se e podem atingir proporções gigantescas. <em>Donde a ideia de uma bomba</em>. Um quilo de urânio liberta, assim, mais calor do que mil toneladas de dinamite. Quanto basta para devastar uma pequena cidade. Uma tonelada de urânio fará desaparecer do mapa a maior das cidades do planeta. </span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span></font></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;">Mas naquela época ninguém sabe se o projecto é realizável. As dificuldades técnicas parecem inultrapassáveis; a maior parte dos cientistas mantém-se céptica. Um projecto utópico, a remeter para as prateleiras do esquecimento, juntamente com o «movimento perpétuo» e a «máquina de viajar no tempo». </span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span></font></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">«Um conto de dormir em pé», dizia Ernest Rutherford, um dos maiores físicos do nosso século. </font></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span></p>
<p></font></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></span></span></span></span></span></span></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></span></span></span></span></span></span></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></span></span></span></span></span></span></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></span></span></span></span></span></span></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman"></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><a name="114da482399c1c1a__Toc118128629" title="114da482399c1c1a__Toc118128629"></a><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Numa banheira de um quarto de hotel</font></span></strong><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span></strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;">&nbsp;</p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">No seu livro <em>Os Grandes Momentos da Humanidade</em>, Stefan Zweig descreve certos acontecimentos históricos (os gansos do Capitólio, a escrita do Messias de Händel, etc.) que, mau-grado a sua curta duração e, por vezes, a sua aparência anódina, influenciaram profundamente os destinos da Humanidade. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Gostaria de acrescentar um acontecimento à colecção de Zweig. Estamos em Londres em 1935. Um cientista judeu húngaro, recém-chegado de Budapeste, aluga um quarto num hotel e transforma imediatamente a casa de banho em laboratório. Na água da banheira mergulha pequenas fontes radioactivas, subtraídas à universidade onde ensinava e transportadas em segredo na bagagem. Chama-se Leo Szilard e encontra-se submetido a uma viva agitação.</font> </span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Acredita firmemente na possibilidade de <em>libertar a energia dos átomos</em> e espera executar rapidamente as manipulações requeridas para o conseguir.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Não o impulsiona somente o entusiasmo por um projecto fantástico; sobre as implicações do eventual êxito da sua tarefa há um olhar lúcido. Szilard sabe da ameaça que pesaria sobre o destino da Humanidade caso conseguisse fabricar uma bomba atómica. «A Humanidade corre para a sua perda», repetiria ele mais tarde, à medida que as dificuldades se aplanavam. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Mas ao mesmo tempo sente-se aterrorizado pela amplitude que o movimento nazi vem assumindo desde há alguns anos. Por causa da subida do anti-semitismo abandonara a sua cadeira na Universidade de Budapeste e fugira do continente. São-lhe evidentes as intenções guerreiras de Hitler, a barbárie que ameaça a Europa. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Ei-lo, refugiado político sem laboratório, inclinado sobre a sua banheira de hotel, obcecado pela ideia de que é preciso, por <em>qualquer preço</em>, desenvolver a bomba e ganhar a corrida contra os físicos alemães ao serviço do nazismo.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Em 1935 Leo Szilard suporta sozinho a carga de angústia que emana da bomba ainda nos limbos. A maior parte dos seus colegas não acredita nela. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Mas a bomba não tardará a impor-se. A pouco e pouco, acabará por fascinar toda uma geração de físicos e engenheiros, a quem, como a Szilard, inspirará alguns sentimentos contraditórios: a <em>excitação</em> ante as forças a libertar, a <em>consciência do risco</em> mortal que ela importa, mas também a <em>necessidade</em> imperiosa, em face da conjuntura política, de acelerar, por todos os meios, o seu nascimento.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman"><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/a-bomba-esta-entre-nos-iii/"><em><strong>A bomba está entre</strong></em> <strong><em>nós III</em></strong></a></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Hubert Reeves</font></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido? </font></span></em></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Lisboa, Ed. Gradiva, 1991</font></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Excertos adaptados</font></span></p>
<p></font></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/planetaeclipse.wordpress.com/30/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/planetaeclipse.wordpress.com/30/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/planetaeclipse.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/planetaeclipse.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/planetaeclipse.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/planetaeclipse.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/planetaeclipse.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/planetaeclipse.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/planetaeclipse.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/planetaeclipse.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/planetaeclipse.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/planetaeclipse.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/planetaeclipse.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/planetaeclipse.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/planetaeclipse.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/planetaeclipse.wordpress.com/30/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=30&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A bomba está entre nós &#8211; Hubert Reeves</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2007 09:37:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[bomba atómica]]></category>
		<category><![CDATA[comportamentos]]></category>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Hubert Reeves A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido? Lisboa, Ed. Gradiva, 1991 Excertos adaptados &#160; &#160; A bomba está entre nós &#160; Da minha janela vejo o pôr-do-sol sobre a cidade. As vidraças reflectem-lhe a luz dourada sobre as ruas já ensombradas. Entre as bancadas do mercado, onde se alinham frutos e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=29&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Hubert Reeves</font></span></p>
<p style="margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido?</font></span></em></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Lisboa, Ed. Gradiva, 1991</font></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Excertos adaptados</font></span></p>
<p><a name="114da2bc6a93d5fd__Toc142274731" title="114da2bc6a93d5fd__Toc142274731"></a></p>
<p align="center" style="text-align:center;margin:0;">&nbsp;</p>
<p align="center" style="text-align:center;margin:0;">&nbsp;</p>
<p align="left" style="text-align:center;margin:0;"><a name="114da2bc6a93d5fd__Toc118128626" title="114da2bc6a93d5fd__Toc118128626"></a><span><strong><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">A bomba está entre nós</font></span></strong></span><strong><span style="font-size:14.5pt;"></span></strong></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Da minha janela vejo o pôr-do-sol sobre a cidade. As vidraças reflectem-lhe a luz dourada sobre as ruas já ensombradas. Entre as bancadas do mercado, onde se alinham frutos e legumes, as pessoas discutem, compram e abalam com os cestos bem cheios. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Ao observar esta vida calma e pacífica, como pensar na ameaça que pesa sobre ela? Armazenadas nos silos nucleares, 30 000 bombas atómicas estão prontas a saltar em poucos minutos. Uma <em>única</em> bastaria para aniquilar uma cidade inteira, deixando de ponta a ponta uma imensa cratera vítrea como as que se vêem na Lua.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Mil milhões de mortos, mil milhões de feridos graves, tal é o cálculo das vítimas imediatas de um conflito nuclear generalizado, mas os efeitos a longo prazo seriam ainda mais aterradores, porque os sobreviventes lamentariam não terem sucumbido prontamente. Segundo as melhores estimativas, milhões de toneladas de poeiras e fuligem, dispersas na atmosfera, mergulhariam grande parte da superfície terrestre numa noite de vários meses e o calor solar deixaria de atingir o solo. A temperatura desceria por toda a parte e manter-se-ia algumas dezenas de graus abaixo de zero, provocando, assim, o <!-- D(["mb","\u003ci\&amp;gt;inverno nuclear\u003c/i\&amp;gt;...\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Depois disto, tempestades de grande violência disseminariam nos dois hemisférios substâncias tóxicas cujo teor radioactivo neutralizaria as defesas imunológicas de pessoas e animais. A agricultura, os cuidados médicos, os transportes públicos, seriam reduzidos a nada. A fome, o frio, as epidemias, poderiam, segundo alguns, provocar a \n\u003ci\&amp;gt;extinção do género humano\u003c/i\&amp;gt;. (Estes cálculos e previsões têm sido contestados. O grau de incerteza é grande, mas \u003ci\&amp;gt;não exclui\u003c/i\&amp;gt; o extermínio da nossa espécie).\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Como chegámos a isto? Por que aceitámos este cavalo de Tróia dentro das nossas muralhas? Por que espécie de perversidade fomos levados a construir, nós próprios, os instrumentos da nossa destruição? Porquê, em vez de nos livrarmos delas, damos em cada ano, a essas armas, uma potência maior, uma precisão mais mortífera?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Este primeiro capítulo é uma reflexão sobre um tema entristecedor: \n\u003ci\&amp;gt;a Humanidade faz tudo\u003c/i\&amp;gt; o que pode (e ainda mais) para chegar o mais depressa possível à sua autodestruição.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cb\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:13.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/b\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ca name\u003d\"114da2bc6a93d5fd__Toc118128627\"\&amp;gt;\u003cb\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:13.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nE a bomba nasceu...\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/b\&amp;gt;\u003c/a\&amp;gt;\u003cb\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:13.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;",1] );  //--><em>inverno nuclear</em>&#8230;</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Depois disto, tempestades de grande violência disseminariam nos dois hemisférios substâncias tóxicas cujo teor radioactivo neutralizaria as defesas imunológicas de pessoas e animais. A agricultura, os cuidados médicos, os transportes públicos, seriam reduzidos a nada. A fome, o frio, as epidemias, poderiam, segundo alguns, provocar a <em>extinção do género humano</em>. (Estes cálculos e previsões têm sido contestados. O grau de incerteza é grande, mas <em>não exclui</em> o extermínio da nossa espécie). </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Como chegámos a isto? Por que aceitámos este cavalo de Tróia dentro das nossas muralhas? Por que espécie de perversidade fomos levados a construir, nós próprios, os instrumentos da nossa destruição? Porquê, em vez de nos livrarmos delas, damos em cada ano, a essas armas, uma potência maior, uma precisão mais mortífera? </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Este primeiro capítulo é uma reflexão sobre um tema entristecedor: <em>a Humanidade faz tudo</em> o que pode (e ainda mais) para chegar o mais depressa possível à sua autodestruição.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span></strong></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><a name="114da2bc6a93d5fd__Toc118128627" title="114da2bc6a93d5fd__Toc118128627"></a><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">E a bomba nasceu&#8230;</font></span></strong><strong><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"> <!-- D(["mb","\u003c/span\&amp;gt;\u003c/b\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O advento da bomba é melhor contado no estilo das grandes epopeias mitológicas do que no tom frio e impessoal da história contemporânea; a linguagem épica revela de modo mais eficaz a verdadeira dimensão dos trunfos em jogo.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Longe de não ser mais do que uma crendice, cuja falsidade se demonstrou, o mito, tradicionalmente, é uma maneira de transmitir sabedoria e arte de viver. Não se trata de saber se é verdadeiro ou falso, mas sim de medir a sua eficácia como técnica de ensino.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O mito de um ser do além que incarna e irrompe no nosso mundo surge com frequência nos escritos tradicionais. Precursores, profetas, grandes sacerdotes e sacerdotisas anunciam e preparam a sua vinda.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;De todas as divindades, a bomba é, sem dúvida, a mais despótica, a mais cruelmente exigente. Como vestais romanas, os seus discípulos consagram-se inteiramente ao seu serviço. Sentido do dever, competência, eficácia, honestidade científica, todas as qualidades que se exigem aos melhores são indispensáveis para levar a bom termo os trabalhos que o seu nascimento implica.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;",1] );  //--></span></strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O advento da bomba é melhor contado no estilo das grandes epopeias mitológicas do que no tom frio e impessoal da história contemporânea; a linguagem épica revela de modo mais eficaz a verdadeira dimensão dos trunfos em jogo. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Longe de não ser mais do que uma crendice, cuja falsidade se demonstrou, o mito, tradicionalmente, é uma maneira de transmitir sabedoria e arte de viver. Não se trata de saber se é verdadeiro ou falso, mas sim de medir a sua eficácia como técnica de ensino. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O mito de um ser do além que incarna e irrompe no nosso mundo surge com frequência nos escritos tradicionais. Precursores, profetas, grandes sacerdotes e sacerdotisas anunciam e preparam a sua vinda. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">De todas as divindades, a bomba é, sem dúvida, a mais despótica, a mais cruelmente exigente. Como vestais romanas, os seus discípulos consagram-se inteiramente ao seu serviço. Sentido do dever, competência, eficácia, honestidade científica, todas as qualidades que se exigem aos melhores são indispensáveis para levar a bom termo os trabalhos que o seu nascimento implica. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A bomba não tolerará nenhuma lentidão, nenhuma fraqueza, nenhuma infidelidade, e os que quiserem deixá-la arrepender-se-ão. Sem demora serão substituídos por outros adoradores mais zelosos ainda, os quais, em grande número, esperam com impaciência a ocasião de a servir.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Em menos de dez anos a bomba atómica passa do estado de especulação pura ao de realidade aterradora, gerada por uma das mais prodigiosas concentrações de matéria cinzenta da história humana. Em 1942, \nem Los Alamos, vila perdida no deserto do Novo México, reúnem-se os melhores cientistas do planeta: físicos, matemáticos, químicos.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O exército americano instala lá um super-laboratório, onde todos os meios são postos à disposição dos investigadores. O ambiente é de alta tensão, trabalha-se noite e dia, sem quaisquer férias. O parto é longo e difícil. A bomba manifesta-se pela primeira vez em Julho de 1945, em Alamogordo, também no Novo México. Pouco depois revela a sua verdadeira face, com o aniquilamento de duas cidades japonesas: Hiroxima e Nagasáqui. Em alguns segundos dezenas de milhares de pessoas passam, literalmente, ao estado gasoso. No total, mais de 150 000 vítimas.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A bomba ganha em potência. No atol de Bikini, nas neves siberianas de Nova Zembla, atingirá o equivalente a \n\u003ci\&amp;gt;dezenas de milhões de toneladas de dinamite\u003c/i\&amp;gt;. E ela prolifera: mais de 30 000, segundo as últimas notícias, encontram-se disseminadas nos arsenais do planeta.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--><font face="Times New Roman">A bomba não tolerará nenhuma lentidão, nenhuma fraqueza, nenhuma infidelidade, e os que quiserem deixá-la arrepender-se-ão. Sem demora serão substituídos por outros adoradores mais zelosos ainda, os quais, em grande número, esperam com impaciência a ocasião de a servir. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Em menos de dez anos a bomba atómica passa do estado de especulação pura ao de realidade aterradora, gerada por uma das mais prodigiosas concentrações de matéria cinzenta da história humana. Em 1942, em Los Alamos, vila perdida no deserto do Novo México, reúnem-se os melhores cientistas do planeta: físicos, matemáticos, químicos.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O exército americano instala lá um super-laboratório, onde todos os meios são postos à disposição dos investigadores. O ambiente é de alta tensão, trabalha-se noite e dia, sem quaisquer férias. O parto é longo e difícil. A bomba manifesta-se pela primeira vez em Julho de 1945, em Alamogordo, também no Novo México. Pouco depois revela a sua verdadeira face, com o aniquilamento de duas cidades japonesas: Hiroxima e Nagasáqui. Em alguns segundos dezenas de milhares de pessoas passam, literalmente, ao estado gasoso. No total, mais de 150 000 vítimas. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A bomba ganha em potência. No atol de Bikini, nas neves siberianas de Nova Zembla, atingirá o equivalente a <em>dezenas de milhões de toneladas de dinamite</em>. E ela prolifera: mais de 30 000, segundo as últimas notícias, encontram-se disseminadas nos arsenais do planeta.</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Instaladas sobre engenhos balísticas de assustadora precisão, várias de entre elas são-nos destinadas e têm o doce nome de Paris, outras chamam-se Nova Iorque, Moscovo, Pequim. Para os técnicos que todos os dias as mantêm e acariciam, Paris é, antes do mais, o nome de um dos seus belos engenhos.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n",0] ); D(["ce"]);  //--><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Instaladas sobre engenhos balísticas de assustadora precisão, várias de entre elas são-nos destinadas e têm o doce nome de Paris, outras chamam-se Nova Iorque, Moscovo, Pequim. Para os técnicos que todos os dias as mantêm e acariciam, Paris é, antes do mais, o nome de um dos seus belos engenhos. </font></span></p>
<p><em><strong><a href="http://planetaeclipse.wordpress.com/2007/09/06/a-bomba-esta-entre-nos-ii/">A bomba está entre nós II</a></strong></em></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/planetaeclipse.wordpress.com/29/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/planetaeclipse.wordpress.com/29/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/planetaeclipse.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/planetaeclipse.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/planetaeclipse.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/planetaeclipse.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/planetaeclipse.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/planetaeclipse.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/planetaeclipse.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/planetaeclipse.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/planetaeclipse.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/planetaeclipse.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/planetaeclipse.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/planetaeclipse.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/planetaeclipse.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/planetaeclipse.wordpress.com/29/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=29&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Diálogo e respeito mútuo</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Sep 2007 22:28:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[comportamentos]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Além-Mar Maio 2004 Diálogo e respeito mútuo &#160; José Dias da Silva &#160; Primeiro foi o 11 de Setembro em Nova Iorque. Depois , após umas incursões por países longínquos, cujas ondas de choque pouco nos impressionaram, foi o 11 de Março, em Madrid. E, de repente, depois de tantos anos de auto-suficiência e de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=planetaeclipse.wordpress.com&amp;blog=1407365&amp;post=25&amp;subd=planetaeclipse&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Além-Mar</font></span></em></p>
<p style="margin:0;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:9.5pt;">Maio 2004</span><span style="font-size:9.5pt;"></span></font></p>
<p></span></p>
<p style="margin:0;"><span></span></p>
<p style="margin:0;"><span></span></p>
<p align="center" style="text-align:center;margin:0;"><a name="114c32f36421e87e__Toc142274742"></a><strong><span style="font-size:15.5pt;"><font face="Times New Roman">Diálogo e respeito mútuo </font></span></strong><strong><span style="font-size:15.5pt;"></span></strong></p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p></span></p>
<p align="center" style="text-align:center;margin:0;"><span style="font-size:10.5pt;"><font face="Times New Roman">José Dias da Silva</font></span></p>
<p></span></p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Primeiro foi o 11 de Setembro em Nova Iorque. Depois , após umas incursões por países longínquos, cujas ondas de choque pouco nos impressionaram, foi o 11 de Março, em Madrid.</font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">E, de repente, depois de tantos anos de auto-suficiência e de requintados serviços de vigilância, percebemos que afinal ninguém está seguro em lado nenhum. O pânico e o medo aumentaram um sentimento difuso de ansiedade e angústia, já agudizado por novos riscos, novas doenças, novas catástrofes ambientais, novos perigos de alimentos contaminados. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;">  <!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;O pânico não é o mais propício para uma avaliação objectiva da realidade. E o medo nunca foi bom conselheiro. De qualquer modo, em vez das reacções imediatistas, impostas pela agressividade e defesa irracional da nossa territorialidade geográfica, mas sobretudo cultural, esta é uma oportunidade para olhar à nossa volta e não só perceber que não somos os únicos habitantes do planeta nem as únicas sociedades com valores mas também procurar apreender as causas profundas de tais brutalidades e das possíveis culpas nossas no seu aparecimento.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Talvez estes massacres nos ajudem a tomar consciência dos muitos que fomos cometendo ou deixámos que acontecessem ao longo da história: o comércio de escravos africanos pelos portugueses e outros, o genocídio de incas e astecas pelos espanhóis, o massacre dos aborígenes da Tasmânia pelos ingleses, a eliminação dos índios pelos americanos, a destruição do povo herero, da Namíbia, pelos alemães, os milhões de mortos nos Gulags estalinistas e nos campos de morte nazis, os dois milhões de mortos pelos kmers vermelhos, o milhão do genocídio ruandês ou os 300 mil timorenses. Isto para não falar das tentativas «caseiras» de limpeza étnica ou política: dos arménios, dos curdos, dos chechenos, na ex-Jugoslávia, ou dos milhares que por esse mundo fora todos os dias deixamos morrer à fome. Afinal não somos muito mais civilizados do que esses terroristas que matam, a sangue-frio, milhares de inocentes. Quantos não matámos nós por razões económicas, por interesses políticos ou por simples indiferença?\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Talvez os recentes crimes nos façam perceber que a vítima americana não é mais pessoa que o ruandês que deixámos massacrar, que sempre que morre uma pessoa, em qualquer canto do mundo e independente da sua cor ou religião, é sempre uma perda irreparável para a humanidade. Talvez consigamos perceber que todas as pessoas contam igualmente. E que, havendo atrás de cada pessoa uma cultura, a humanidade será mais rica se partilhar todos esses bens culturais, respeitando-os e promovendo-os na diversidade das diferenças, até porque todas as culturas são incompletas e têm debilidades próprias. E sem o reconhecimento dessas limitações nunca será possível o diálogo intercultural honesto e fecundo.\n",1] );  //--><font face="Times New Roman">O pânico não é o mais propício para uma avaliação objectiva da realidade. E o medo nunca foi bom conselheiro. De qualquer modo, em vez das reacções imediatistas, impostas pela agressividade e defesa irracional da nossa territorialidade geográfica, mas sobretudo cultural, esta é uma oportunidade para olhar à nossa volta e não só perceber que não somos os únicos habitantes do planeta nem as únicas sociedades com valores mas também procurar apreender as causas profundas de tais brutalidades e das possíveis culpas nossas no seu aparecimento. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Talvez estes massacres nos ajudem a tomar consciência dos muitos que fomos cometendo ou deixámos que acontecessem ao longo da história: o comércio de escravos africanos pelos portugueses e outros, o genocídio de incas e astecas pelos espanhóis, o massacre dos aborígenes da Tasmânia pelos ingleses, a eliminação dos índios pelos americanos, a destruição do povo herero, da Namíbia, pelos alemães, os milhões de mortos nos Gulags estalinistas e nos campos de morte nazis, os dois milhões de mortos pelos kmers vermelhos, o milhão do genocídio ruandês ou os 300 mil timorenses. Isto para não falar das tentativas «caseiras» de limpeza étnica ou política: dos arménios, dos curdos, dos chechenos, na ex-Jugoslávia, ou dos milhares que por esse mundo fora todos os dias deixamos morrer à fome. Afinal não somos muito mais civilizados do que esses terroristas que matam, a sangue-frio, milhares de inocentes. Quantos não matámos nós por razões económicas, por interesses políticos ou por simples indiferença? </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Talvez os recentes crimes nos façam perceber que a vítima americana não é mais pessoa que o ruandês que deixámos massacrar, que sempre que morre uma pessoa, em qualquer canto do mundo e independente da sua cor ou religião, é sempre uma perda irreparável para a humanidade. Talvez consigamos perceber que todas as pessoas contam igualmente. E que, havendo atrás de cada pessoa uma cultura, a humanidade será mais rica se partilhar todos esses bens culturais, respeitando-os e promovendo-os na diversidade das diferenças, até porque todas as culturas são incompletas e têm debilidades próprias. E sem o reconhecimento dessas limitações nunca será possível o diálogo intercultural honesto e fecundo.  <!-- D(["mb","\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Então o caminho não pode ser o da imposição dos nossos valores para substituir os dos outros, o que só pode conduzir a uma «canibalização cultural». Tem de ser o do diálogo entre todas as culturas. Só assim, no respeito mútuo, será possível eliminar ou pelo menos limitar as condições geradoras de terroristas dispostos a dar a vida para espalhar a morte e, talvez assim, contestar um Ocidente que nunca os levou a sério, que passou a história a impor soluções que não incluíam os legítimos ideais desses povos, ignorando-os ou até humilhando-os.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Bastará olhar para a partilha de África feita a régua e esquadro numa longínqua cidade da Europa central, ou a (não) solução para o Médio Oriente, ou a divisão entre a Índia e o Paquistão. Para não citar exemplos bem recentes onde a mentira teve um papel determinante. É, pois, tempo de os políticos darem lugar aos sábios. E tempo de os militaristas darem lugar aos amantes da paz e da dignidade das pessoas e dos povos. É tempo de o diálogo substituir o ruído ensurdecedor das armas. É tempo de afirmar e respeitar a igual dignidade de todos, pessoas e povos, o seu direito ao desenvolvimento próprio, à sua cultura, à sua existência reconhecida internacionalmente, à sua parte dos bens deste mundo, criados para uso de todos.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Talvez também possamos perceber que a nossa cultura de absolutização do dinheiro é (pode ser) um grande aliado dos terroristas ao permitir-lhes dispor de financiamento com esquemas de branqueamento de dinheiros, com os paraísos fiscais, onde todos os dias passam milhões de dólares que ninguém quer controlar. Só nas ilhas Caimão, o maior centro de o\n",1] );  //--> </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Então o caminho não pode ser o da imposição dos nossos valores para substituir os dos outros, o que só pode conduzir a uma «canibalização cultural». Tem de ser o do diálogo entre todas as culturas. Só assim, no respeito mútuo, será possível eliminar ou pelo menos limitar as condições geradoras de terroristas dispostos a dar a vida para espalhar a morte e, talvez assim, contestar um Ocidente que nunca os levou a sério, que passou a história a impor soluções que não incluíam os legítimos ideais desses povos, ignorando-os ou até humilhando-os. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Bastará olhar para a partilha de África feita a régua e esquadro numa longínqua cidade da Europa central, ou a (não) solução para o Médio Oriente, ou a divisão entre a Índia e o Paquistão. Para não citar exemplos bem recentes onde a mentira teve um papel determinante. É, pois, tempo de os políticos darem lugar aos sábios. E tempo de os militaristas darem lugar aos amantes da paz e da dignidade das pessoas e dos povos. É tempo de o diálogo substituir o ruído ensurdecedor das armas. É tempo de afirmar e respeitar a igual dignidade de todos, pessoas e povos, o seu direito ao desenvolvimento próprio, à sua cultura, à sua existência reconhecida internacionalmente, à sua parte dos bens deste mundo, criados para uso de todos. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Talvez também possamos perceber que a nossa cultura de absolutização do dinheiro é (pode ser) um grande aliado dos terroristas ao permitir-lhes dispor de financiamento com esquemas de branqueamento de dinheiros, com os paraísos fiscais, onde todos os dias passam milhões de dólares que ninguém quer controlar. Só nas ilhas Caimão, o maior centro de o  <!-- D(["mb","\u003ci\&gt;ff-shore \u003c/i\&gt;do mundo, circulam 15 milhões de milhões de dólares por ano.\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Com as injustiças históricas que cometemos e as facilidades organizativas que a nossa idolatria pelo dinheiro proporciona, não estarão criadas condições objectivas para o terrorismo?\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n",0] ); D(["ce"]);  //--> <em>ff-shore </em>do mundo, circulam 15 milhões de milhões de dólares por ano.</font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Com as injustiças históricas que cometemos e as facilidades organizativas que a nossa idolatria pelo dinheiro proporciona, não estarão criadas condições objectivas para o terrorismo? </font></span></p>
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